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6 de agosto de 2013

Deputado propõe tempo de banho de sol para trabalhadores - Escravos na Prisão ?

Será que somos escravos na prisão ? 

O deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP), 59, quer mandar todo mundo tomar banho. De sol.

Pelos corredores de Brasília, virou o "cara da vitamina D". Médico que atua como clínico, Feldman distribui livros sobre o tema para colegas do Congresso. Torce para que eles deem cobertura quando chegar o "Dia D": aprovar uma lei que torna obrigatória a exposição à luz solar.

Explica-se: o sol estimula a produção pelo corpo desse nutriente --que ajuda na prevenção de doenças (autoimunes, ossos fracos etc.).

Fonte: Folha

28 de junho de 2013

Globo contra o 13° salário


Há 50 anos, o presidente João Goulart, no dia 13 de julho de 1962, assinava a Lei 4.090, que criava a gratificação natalina, que ficou conhecida como o 13º salário, uma conquista histórica da classe trabalhadora. A Lei só foi criada graças à mobilização do movimento sindical da época. No dia 5 de julho de 1962, milhares de brasileiros organizaram, junto ao Comando Geral de Greve (CGG), uma greve nacional exigindo melhorias nas condições de trabalho, mais liberdade sindical e abono salarial.

Na ocasião, Marinho acusou o presidente Goulart de fazer demagogia com a nova lei e que tal iniciativa iria quebrar empresários, levar à bancarrota a economia nacional e instalar no país o caos político e social. A previsão neoliberal não se cumpriu. Passaram se 50 anos e o país, é claro, não quebrou. Ao contrário, o 13º tornou-se um importante instrumento para elevar a renda dos trabalhadores e contribuir com o desenvolvimento econômico do Brasil.

1 de maio de 2013

Dia do trabalho




foto de Luis Avelima.


Em 1 de maio de 1886 em Chicago (EUA) começa uma greve geral de trabalhadores para exigir a jornada trabalhista de oito horas. Isto desembocará na Revuelta de Haymarket três dias mais tarde, a 4 de maio. Devido a estes acontecimentos se celebra o 1 de maio como Dia Internacional do Trabalho, criado em 1889

21 de março de 2013

Em protesto, nove entidades deixam comissão contra trabalho escravo no MT

Por Sarah Fernandes
Da Rede Brasil Atual

Depois de dois anos de insatisfação e de poucos resultados, as nove entidades consideradas mais atuantes na Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) do Mato Grosso abandonaram o trabalho na última semana. A desistência é um protesto ao que consideram falta de atenção e inoperância do governo no estado, chefiado por Silval Barbosa (PMDB), no combate à exploração do trabalho escravo.

A gota d'água foi a negativa ao pedido feito por parte das entidades para exonerar a atual secretária de Cultura do estado, Janete Riva, que foi incluída na Lista Suja do Trabalho Escravo no ano passado, após sete pessoas terem sido libertadas de situação análoga à escravidão, em 2010, em uma de suas propriedades, no município de Juara (MT). Ela é mulher do presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PSD).

Leia mais aqui,

7 de março de 2013

Suíça e os ricaços. E se a moda pega?

Por Altamiro Borges de Miro






No domingo passado, um inusitado plebiscito na Suíça apontou que 67,9% dos votantes apoiam um projeto contra as “remunerações abusivas” no mundo empresarial. A consulta democrática, batizada de “iniciativa contra os gatos gordos”, confirmou que há uma forte indignação na sociedade contra os altos salários e os privilégios dos ricaços. Enquanto uma minoria ostenta riqueza, a maioria sofre as consequências da crise capitalista no velho continente, com a explosão do desemprego, o arrocho salarial e a regressão trabalhista.


Entre outras medidas, o projeto prevê que caberá à assembleia-geral de acionistas votar, a cada ano, a soma global das remunerações do conselho de administração e da diretoria. Ele também veta os “paraquedas dourados”, como são chamados os bilionários bônus concedidos aos “gatos gordos” quando deixam a empresa, e os prêmios por compra ou venda de companhias. Num país famoso por guardar os segredos dos ricaços, o plebiscito representa “uma pequena revolução”, conforme alertou o jornal Monde.



A revolta contra os “salários abusivos” foi detonada no mês passado, depois que o presidente da empresa Novartis, Daniel Vasella, foi obrigado a abrir mão de uma “indenização” de 72 milhões de francos suíços (R$ 150 milhões). A rápida mobilização popular forçou a realização do plebiscito nacional, previsto em lei, no qual 46% dos eleitores do país compareceram às urnas. Caberá agora ao parlamento transformar o projeto em lei. As entidades empresariais, porém, já anunciaram que tentarão sabotar a sua aprovação.


O plebiscito na Suíça é expressão do agravamento da crise capitalista e do aumento da indignação popular, com a explosão de várias revoltas – indignados da Espanha, grevistas de Portugal e da Grécia, movimento “Ocupe Wall Street” nos EUA. Em decorrência desta pressão, o capital é obrigado a recuar, mesmo que seja adotando medidas cosméticas. Desde a eclosão da crise, em 2008, Alemanha, EUA e outros países já aprovaram leis para controlar os salários dos executivos – mas sem tocar nos lucros do capital.


Como observa Vladimir Safatle, em artigo na Folha, “aplicada ao Brasil, uma lei como essa aprovada pela Suíça levaria as empresas a se preocuparem com a competitividade, dando salários decentes para seus funcionários, em vez de tentar utilizar a última teoria de administração da moda para justificar extorsões produzidas por seus executivos”. Ele lembra que 94% dos empregos formais criados no Brasil nos últimos dez anos têm remuneração de, no máximo, um salário mínimo e meio. No outro extremo, os empresários e seus executivos esbanjam em fortunas e vive na opulência. Aí se a moda suíça pega no Brasil!

1 de março de 2013

Trabalho escravo no McDonald's



MINISTÉRIO PÚBLICO ENCONTRA TRABALHO DEGRADANTE EM RESTAURANTES DO MCDONALD'S. MULTA PODE CHEGAR A R$ 30 MILHÕES

Acusada de descumprimento de cláusulas legais relativas às jornadas de trabalho de seus funcionários, a Arcos Dourados, representante da marca de fast food McDonald’s no Brasil, não entrou em acordo com o Ministério Público do Trabalho para uma proposta que regularize os direitos trabalhistas dos funcionários, entre eles horários fixos e pagamento do salário mínimo. O MPT pede ainda R$ 30 milhões por dano moral coletivo.

A ação contra a Arcos Dourados, que administra 640 restaurantes da rede de fast food McDonald’s no país – 75% do total – foi movida em Pernambuco por descumprimento de cláusulas legais relativas às jornadas de trabalho de seus funcionários. A jornada móvel variável, adotada pelo McDonald’s, consiste em não fixar um horário de entrada ou saída de seus funcionários. Em um dia, ele pode trabalhar pela manhã e no outro, à tarde, o que os impede de realizar outras atividades. Para muitos o início da jornada começa a contar a partir o retorno do horário de almoço.

De acordo com investigações do MPT, o funcionário assina contrato de trabalho, mas não sabe qual é sua jornada nem o tempo diário de permanência na loja. Além disso, a rede é acusada de não pagar o salário mínimo e de proibir os funcionários de sair da loja durante o intervalo, o que faz com que eles sejam obrigados a fazer a refeição no local de trabalho.

Segundo o procurador do Trabalho da 6ª Região, Leonardo Mendonça, foi encontrado caso de funcionário que chegava para trabalhar e, três minutos depois, precisou tirar o intervalo intrajornada. “No outro dia, esse mesmo funcionário trabalhava cinco, seis horas para ter direito ao mesmo intervalo. E há casos em que o funcionário saiu do trabalho às 6h, 7h da manhã, devido ao balanço, e teve que voltar às 9h da manhã (do dia seguinte) para começar a trabalhar novamente”.

Para o deputado Ivan Valente, que integra a CPI do Trabalho Escravo da Câmara dos Deputados, trata-se de um caso evidente de trabalho degradante, que avilta direitos fundamentais dos trabalhadores. Valente afirma que “a expectativa é que a Justiça se pronuncie no sentido de punir a empresa e acabar com o assédio moral imposto aos trabalhadores.”

“Temos constado durante as diligências da CPI situações absolutamente inaceitáveis de trabalho por empresas as mais diversas. Este caso em especial, em que os trabalhadores precisam estar à disposição da empresa, e portanto não podem ter outras atividades, como estudar, além da remuneração precária, pode ser considerada trabalho degradante”, declarou o deputado.

Uma nova tentativa de acordo está marcada para o dia 21 de março, no Recife. “Estaremos atentos para que se faça justiça”, afirmou Valente.

http://bit.ly/XHm9Te

Com Agências
Foto: Luiz Alves

10 de setembro de 2012

Europa: outro imenso passo atrás

Por Antonio Martins, no sítio Outras Palavras:

As hipóteses de pensadores como Manuel Castells e Ignacio Ramonet, que enxergam recrudescimento da luta de classes na Europa e riscos de retrocesso social profundo, ganharam nova força nos últimos dias. Na terça-feira (4/9), o jornal londrino The Guardianvazou o conteúdo de uma carta-ultimato radical, dirigida pela chamada troika (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI) ao governo grego. Enviado às vésperas da viagem de uma “comissão de inspetores” a Atenas, e redigida na forma de um elenco seco de exigências, o documento concentra-se nas relações de trabalho.

Requer mudanças profundas – e inimagináveis, há apenas alguns meses – nas leis que protegem os direitos laborais. Além de livrar as grandes empresas de boa parte das leis trabalhistas, concede-lhes ampla redução de impostos, o que debilitaria ainda mais os serviços públicos. Não se trata, porém, de algo limitado à Grécia. Nesta quinta-feira (6/9), ao anunciar novas ações para evitar um colapso financeiro do euro, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, comunicou que a instituição poderá submeter outros países em dificuldades a semelhantes “medidas de estrita e efetiva condicionalidade”.

A vastidão das propostas exigidas de Atenas levou o site World Socialist a enxergá-las como ”um retrocesso às condições de trabalho que vigoravam nos países capitalistas durante o século 19″. Não parece haver exagero na imagem. A troika exige explicitamente, por exemplo, o fim da jornada de 40 horas – que inspirou a maior parte das lutas sociais a partir de 1860 e foi gradualmente conquistada na virada para o século 20. A carta é clara: cobra “flexibilidade ampliada dos horários de trabalho” e especifica: em particular “aumento do número máximo de dias de trabalho, para seis por semana, em todos os setores”.

Estender a jornada laboral, num país onde toda a economia está deprimida, estimulará os empresários a produzir o mesmo com menos empregados. Sintomaticamente, o ultimato também exige que sejam reduzidos em 50% os prazos de aviso prévio e custos indenizatórios das demissões. Mas vai adiante. Pede nova compressão do valor nominal do salário mínimo – já achatado em 21% este ano. Chega ao detalhes: reivindica alterar as leis gregas que estabelecem intervalo mínimo entre as jornadas de trabalho. “A ideia é que os empregadores possam convocar os assalariados a qualquer momento, acabando com a estabilidade dos horários de trabalho”, afirma Panagiotis Sotiris, professor da Universidade do Egeu.

Nem as férias serão preservadas, se as pressões da troika forem aceitas. A carta a Atenas propõe autorizar os empregadores a fatiar o período contínuo de descanso remunerado em dias esparsos, concedidos ao longo do ano. Para os patrões, cômodo e barato – porque permite dispensar os assalariados em períodos de baixa atividade, por exemplo. Para os trabalhadores, equivale à obrigação de permanecer disponíveis, em todas as época do ano, às tarefas definidas pela empresa.

Muitas das exigências contrariam leis e normas gregas – e talvez fosse difícil propor ao Parlamento uma bateria de decisões impopulares. Por isso, a troika tem uma reivindicação de caráter genérico porém devastador, inclusive por humilhar a soberania nacional. Quer desmantelar o sistema atual de fiscalização do trabalho, retirando completamente sua autonomia e colocando-o sob supervisão direta da União Europeia. Ainda que muitas das leis que impedem a super-exploração dos assalariados sejam mantidas, terão pouca eficácia prática. Os funcionários encarregados de garantir seu cumprimento serão comandados por burocratas comprometidos com o sentido geral das novas ordens.

Na mesma carta em que incentiva o ataque generalizado aos direitos dos trabalhadores, a troika reivindica redução das contribuições das empresas aos sistemas de Saúde e Previdência, além de isentá-las de outros impostos. Segundo The Guardian, o ultimato estabelece prazo curto para as decisões. A União Europeia estaria insatisfeita com a “paralisia” do novo governo conservador grego, eleito em maio e até agora incapaz de impor os cortes de direitos sociais e serviços públicos que lhe foram exigidos.

Agora, as cartas estão na mesa, segundo o jornal britânico. Ou Atenas executa as exigências do ultimato, ou não receberá a segunda parcela (14,6 bilhões de euros) de um “resgate” indispensável para manter até mesmo as despesas essenciais do Estado – como o pagamento dos servidores públicos e dos aposentados. A alternativa seria emitir moeda própria e deixar o euro – com consequências ainda imprevisíveis, tanto para a Grécia quanto para a moeda comum.

Ao que tudo indica, porém, Atenas pode ser apenas a primeira vítima de uma nova fase do ataque aos direitos sociais na Europa: a partir de agora, ainda mais intenso e coordenado que ao longo dos últimos três anos. Na quinta-feira (6/9), após uma bateria de encontros com governantes europeus (em especial com a chanceler alemã, Angela Merkel), o presidente do BCE anunciou finalmente que o banco passará a comprar títulos públicos de países em dificuldades de rolar suas dívidas nos mercados.

A ação do BCE era esperada há muito, por todos. Por meio dela, países que foram obrigados a elevar em muito as taxas de juros oferecidas aos credores (como Espanha e Itália) poderão ter, a partir de agora, certo alívio. Mas Mário Draghi estipulou, também, algo inesperado. As intervenções do banco não serão automáticas, como ocorre com os bancos centrais de todos os países. Para iniciá-las, o BCE exigirá dos governos em dificuldades que peçam formalmente apoio. Ao fazê-lo, deverão comprometer-se a “contrapartidas estritas e efetivas”. A Espanha seria séria candidata a inaugurar a lista. Angela Merkel encontrou-se, também nesta semana, com o primeiro-ministro Mariano Rajoy e teria exigido este novo passo.

Os mercados financeiros comemoraram o anúncio de Draghi. As bolsas de valores subiram acentuadamente hoje, em toda a Europa e em Nova York. Tendo em vista o sentido das medidas que se pretende impor às sociedades, só se pode ver, na celebração, o “recrudescimento da luta de classes” mencionado por Castells e Ramonet.

20 de junho de 2012

Ford, GM. BMW estariam se aproveitando do trabalho escravo e do desmatamento no Brasil

de Renato Pompeu

Segundo nota do jornal inglês The Guardian, a que a jornalista brasileira Beth Caló chamou a atenção, em http://www.guardian.co.uk/environment/2012/may/17/ford-gm-bmw-logging-brazil?fb=native&CMP=FBCNETTXT9038, em inglês, multinacionais como a Ford, GM, BMW e Nissan estariam usando ferro proveniente da Viena Siderúrgica do Maranhão e da Siderúrgica do Pará, obtido a partir de carvão oriundo do desmatamento ilegal e do trabalho escravo. O interessante é que a fonte do jornal é uma denúncia do Greenpeace no Brasil, que não teve maior repercussão na grande mídia brasileira.

29 de maio de 2012

Câmara aprova confisco de propriedades flagradas com escravos

de Leonardo Sakamoto

Brasília - A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça (22), em segundo turno, a proposta de emenda constitucional 438/2001, que prevê o confisco de propriedades em que trabalho escravo for encontrado, destinando-as à reforma agrária e ao uso social urbano. A matéria, que foi aprovada em primeiro turno em agosto de 2004, deve agora voltar ao Senado por conta da inclusão, pela Câmara, da previsão de expropriação de imóveis urbanos.

Foram 360 votos a favor, 29 contrários e 25 abstenções, totalizando 414 votos. Ao final, os deputados cantaram o Hino Nacional no plenário. Clique aqui para saber como votou seu deputado ou deputada.

Em 2004, foram 326 votos a favor, 10 contrários e 8 abstenções.

Mais de 3,1 mil propriedades foram fiscalizadas por denúncias de trabalho escravo desde 1995, quando o Brasil criou o seu sistema de combate ao crime. Destes locais, foram resgatadas cerca de 42 mil pessoas. No campo, a maior incidência de trabalho escravo contemporâneo está na criação de bovinos, produção de carvão vegetal para siderurgia, produção de pinus, cana-de-açúcar, erva-mate, café, frutas, algodão, grãos, cebola, batata, na extração de recursos minerais e na extração de madeira nativa e látex. Nas cidades, a incidência é maior em oficinas de costura, no comércio, hotéis, bordéis e em serviços domésticos. No campo e na cidade, pipocam casos na construção civil.

Parte dos deputados contrários à PEC perceberam que a posição favorável à aprovação teria quórum e recearam defender uma negativa que poderia ser questionada posteriormente pela sociedade, uma vez que o voto para mudança constitucional é aberto. Ao mesmo tempo, quase 100 deputados estavam ausentes. Isso ajuda a explicar o baixo número de votos contrários e leva a uma falsa impressão de que a votação foi fácil, quando – na verdade – a sua viabilização levou semanas. E até o resultado aparecer no painel eletrônico, ninguém tinha certeza de nada.

4 de abril de 2012

“maior fábrica de celulose do mundo” com 2,7 bi do BNDES usa policiais pra espancar e intimidar operários

Crimes sem castigo na construção da “maior fábrica de celulose do mundo” em Três Lagoas-MS

Por: Leonardo Severo, de Três Lagoas-MS (por e-mail)

R$ 2,7 bilhões do BNDES, recursos públicos, da sociedade brasileira, estão financiando o crime na cidade de Três Lagoas, no interior do Mato Grosso do Sul. Para a construção da “maior fábrica de celulose do mundo”, que enfrenta nestes dias a sua quarta paralisação, a empresa Eldorado se utiliza de métodos medievais. Literalmente.

Seguindo a risca a cartilha deixada por um dos idealizadores do empreendimento, Mário Celso Lopes – já denunciado pela exploração de trabalho escravo -, a Eldorado faz bom uso da impunidade para catapultar seus lucros. Suas ações vão desde a demissão sumária de cipeiros até a utilização de policiais militares com farda e sem farda para reprimir manifestações, espancar operários, montar listas “negras” e até mesmo ameaçar de morte lideranças sindicais.

E o que dizia a intimação? Obrigava os cipeiros Luiz Carlos e José da Conceição, bem como outros trabalhadores identificados como “instigadores” da mobilização por direitos, a pagar uma multa diária de R$ 2.000,00 (dois mil reais), durante um máximo de cem dias, caso não obedecessem a ordem assinada pelo juiz Tomás Bawden de Castro Silva. “Fiquei louco”, relata Luiz Carlos. “Afinal, onde é que eu ia arrumar duzentos mil reais?”. Sobre os motivos que levaram à organização do protesto, explica: “foi o deslocamento a pé até o local do almoço, pois era o segundo dia que o ônibus não vinha e tínhamos de caminhar dois quilômetros para ir e dois para voltar ao trabalho”. “A isso se somou o fato de que muitas horas extras não eram pagas, que descontavam faltas sem termos faltado, e de que o pagamento era sempre uma surpresa, pois o holerite não correspondia à realidade”, frisou.

20 de março de 2012

Economia Solidária

de Clara Roman

Ainda é pouco para um país tão grande, mas já é possível dizer que hoje, no Brasil, três milhões de pessoas vivem sob uma espécie de socialismo dentro do capitalismo. O levantamento é de Paul Singer, secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Na sexta-feira 16, ele fez um balanço sobre a parcela da população que está inserida em programas de economia solidária (cerca de 1,6%). Ao todo, são 30 mil empreendimentos.

Centro de Abastecimento da Economia Solidária, no 5º Fórum Social Mundial, em 2005. Toneladas de alimentos produzidos por associações familiares devem ser consumidas durante o evento. Foto: Marcello Casal Jr/ABr.

“É uma alternativa não capitalista ao desemprego”, diz o sociólogo e economista, em aula magna na Universidade Mackenzie.

Hoje, a economia solidária é uma das bandeiras do Plano Brasil sem Miséria – principal programa de Dilma para erradicação da extrema pobreza. Segundo Singer, o orçamento da pasta nunca foi tão grande.

Até partidos que antes eram resistentes à ideia, por considerar “coisa do PT”, estão com planos de estímulo a projetos comunitários. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tem estudado a possibilidade de importar o programa para o estado.

Se hoje iniciativas como o microcrédito, moeda social, banco comunitário e produções em cooperativas são reconhecidas como projetos de sucesso, há pouco tempo elas passavam despercebidas por grande parte da população, inclusive autoridades. Singer explica: esse tipo de organização foi uma resposta ao desemprego massivo, consequência da hiperinflação e da crise econômica no país durante as décadas de 1980 e 1990. “Trabalhadores lutaram para ficar com a massa falida e montar empresas cooperadas”, explica.

Leia mais:

28 de fevereiro de 2012

Inteligência militante


Valor: Nabuco diz que "não basta acabar com a escravidão, é preciso destruir sua obra". O que implica esse imperativo, depois de 125 anos?

Bosi: A frase de Nabuco é exemplar e significa: é preciso instituir o trabalho digno do adjetivo "livre" com que se designa o trabalho assalariado. Mas não só: seria preciso apagar os vestígios de injustiça e humilhação que o cativeiro iria deixar, como deixou. Hoje essa tarefa tem aspectos particulares: é preciso defender, a todo custo, as exigências codificadas na legislação trabalhista, ameaçada pelas investidas da desregulamentação neoliberal. E levar a bom termo a reforma agrária, proposta literalmente presente em Nabuco.
www.valor.com.br
O professor e historiador Alfredo Bosi revisita a obra de Joaquim Nabuco a partir da reedição de "Minha Formação", cujo prefácio assina

27 de fevereiro de 2012

“Perdendo o mundo”: o declínio dos EUA em perspectiva

O declínio dos Estados Unidos entrou, há algum tempo, em uma nova fase: a do declínio autoinfligido. Desde os anos 70 tem havido mudanças significativas na economia dos EUA, à medida que estrategistas, estatais e do setor privado, passaram a conduzí-la para a financeirização e à exportação de plantas industriais. Essas decisões deram início ao círculo vicioso no qual a riqueza e o poder político se tornaram altamente concentrados, os salários dos trabalhadores ficaram estagnados, a carga de trabalho aumentou e o endividamento das famílias também. O artigo é de Noam Chomsky.

Noam Chomsky – Al Jazeera, publicado pela Carta Maior

1 de fevereiro de 2012

O que Stedile disse a Dilma em Porto Alegre

Íntegra da fala de João Pedro Stedile, do MST, em reunião no Fórum Social

Transcrição da fala de João Pedro Stedile, do MST, na reunião entre Dilma e representantes da sociedade civil realizada em 26 de janeiro de 2012, durante o Fórum Social Temático em Porto Alegre (RS)

“Quero começar, em nome dos movimentos sociais do campo, a cumprimentar a nossa presidenta por ter escolhido Porto Alegre e não Davos. A senhora parece ser realmente corajosa. Mas a minha obrigação aqui, em nome dos movimentos sociais do campo – sem querer representar a todos –, é trazer algumas idéias nesse espírito do diálogo aberto e franco.

Prometo não falar de reforma agrária, porque ela está paralisada, apesar de termos ainda 180 mil famílias acampadas nas beiras das estradas que precisam pelo menos de uma solução humanitária. Mas como o tema aqui é Rio + 20, nós analisamos no MST, com tudo que aprendemos na tradição de luta socialista e cristã, que a melhor pregação é o exemplo. Que o Brasil só pode liderar um processo internacional de defesa do nosso planeta, da nossa biodiversidade, se nós dermos o exemplo.

Nós temos uma agenda nacional que precisa ser resolvida. A primeira delas é que não podemos admitir as mudanças que foram acordadas no Senado para o Código Florestal. Vamos descobrir seu correio eletrônico para que o povo brasileiro lhe escreva para pedir o veto de alguns artigos que a senhora mesmo se comprometeu [a vetar] durante a campanha, e que nós não podemos aceitas.

Nós não podemos aceitar a anistia dos crimes ambientais dos latifundiários, assim como não aceitamos a redução da reserva legal, mesmo nos quatro módulos. Porque isso abre brecha para o capital internacional seguir desmatando o Cerrado e a Amazônia. A nossa política – esperamos que a senhora concorde – é do desmatamento zero. Não há necessidade de derrubarmos mais nenhuma árvore para seguirmos aumentando a produção de alimentos, inclusive em condições muito melhores.

A segunda agenda: nós precisamos fazer um grande programa nacional de reflorestamento para a agricultura familiar, controlado pelas mulheres – já que as mulheres agora mandam nesse país -, um programa para que cada agricultor familiar possa reflorestar dois hectares. Isso é uma merreca. O BNDES dá tanto dinheiro para multinacional, chegou até a financiar a America Online, massa falida… Por que não pode dar dinheiro para a agricultura familiar reflorestar o nosso país, que é uma contribuição para a humanidade?

Terceira agenda: nós precisamos com urgência um programa nacional que estimule a agroecologia. Um programa de políticas públicas que recupere uma agricultura sadia, que plante alimentos sem veneno. Quanto mais agrotóxico colocarmos nos alimentos, maior a incidência de câncer. É uma obrigação nossa produzir alimentos sadios, e para isso as técnicas da agroecologia são as mais recomendadas. Mas o governo está ausente, e é preciso ter políticas públicas que compensem e estimulem [estas práticas].

Quarta agenda: o Ministério da Integração Nacional anunciou que vai irrigar 200 mil hectares do Nordeste. Ótima noticia. Mas aí vai para lá a Cutrale, empresários do Sul, isso é uma vergonha, presidenta. Nós apelamos, em nome dos nordestinos, nós precisamos distribuir esses 200 mil ha para fazer assentamentos. Dois hectares por família, a senhora vai assentar 100 mil agricultores do Nordeste, que vão ficar juntinhos da água, e resolve três problemas: do alimento, da água e do emprego. Não precisa levar empresários do Sul. Senão vamos ocupar as terras deles.

Quinta agenda: nós não podemos nos conformar que governos do exterior deram 700 milhões para o Fundo Amazônia, e o dinheiro está lá parado no BNDES, e pela burocracia do banco só 10% do dinheiro foi aplicado. E ainda assim, dos 23 projetos, a maioria é de governos da Amazônia, de Rondônia, do Amapá. Ora, a vocação deste dinheiro é para recuperar a Amazônia, são projetos sociais, não é para governo. Governo tem outros mecanismos.

Por último, nós não podemos fazer uma conferência de meio ambiente e os nossos irmãos guarani-kaiowa continuam morrendo. Isso é uma dívida de honra. Nós não podemos aceitar que o agronegócio continue matando os povos indígenas que são os verdadeiros zeladores da nossa biodiversidade e do território. Então se a senhora só resolver os problemas dos guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul já vai para o céu. Agora, se não resolver isso, não adianta falar em biodiversidade, assinar documento. E a mesma coisa com as comunidades quilombolas. Faz dois anos que o Incra não legaliza nenhuma área quilombola. É a maior dívida social que nós temos, o país foi construído com trabalho escravo, e agora não consegue reconhecer uma área? Nós temos que recuperar a legalização das terras quilombolas.”

Leia o que disse a presidente Dilma aos integrantes dos movimentos sociais

19 de janeiro de 2012

Servidão Moderna

A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais.

Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado, se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir. Para que esta tragédia absurda possa ter lugar, foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e de sua alienação. Aí está a estranha modernidade da nossa época.

Contrariamente aos escravos da antiguidade, aos servos da Idade média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje em dia frente a uma classe totalmente escravizada, só que não sabe, ou melhor, não quer saber.

Eles ignoram o que deveria ser a única e legítima reação dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que se planejou para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça.


"De la Servitude Moderne"
(França - Colômbia, 2009, 52min - Direção: Jean-François Brient)





9 de janeiro de 2012

Os Escafandristas - Cifrões, Padrões e Exceções

Documentário universitário que discute os padrões da sociedade a partir da visão de artistas independentes. 
São depoimentos de profissionais das mais variadas áreas de atuação dentro da arte que, de alguma forma, usam seus trabalhos para denunciar a falsa grandeza das verdades absolutas e do medo de se fazer escolhas diferentes na vida.Num mundo onde a liberdade é caçada por cifrões e padrões, os personagens surgem como a exceção que procura enxergar um mundo novo com possibilidades ofuscadas pela superfície do comum.
Todas as imagens do filme foram produzidas com uma câmera amadora. Algumas delas foram extraídas de um arquivo pessoal que surgiu a partir de viagens, trabalhos de faculdade e situações cotidianas que antecedem a própria ideia do filme.




Entrevistas(de artistas):
Eduardo Marinho - Pintor, "arteiro e escrevinhador"(por definição própria)
Helio Bentes - Músico, vocalista do Ponto de Equilíbrio
Robson da Lua - Escultor de areia
Caio Correa - Músico, baixista do Scracho
Maria Paula de Oliveira - atriz
Rao Caiua - Artesão e Músico
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Direção, Montagem e Edição: Victor Belart

Produção: Eduardo Viana, Rafael Martins Augusto e Victor Belart

Colaboração: Camila Montano, Igor Passos e Thaísa Pessoa

escafandrofilmes@gmail.com / victorbelart@hotmail.com