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1 de julho de 2014

Os povos indígenas e camponeses alimentam o mundo com menos de um quarto da terra agrícola mundial

Aqueles que fazem parte das organizações camponesas e indígenas mundo afora e todos aqueles que mantêm alguma proximidade e solidariedade com suas lutas sabem que a falta de terra e a expulsão do campo são hoje processos extremamente graves. Entretanto, um número considerável de especialistas não deixa de assegurar que a maior parte da terra continua nas mãos dos camponeses e indígenas.

O GRAIN realizou uma profunda análise das informações existentes para dar-se conta do que está acontecendo, e o resultado é muito claro: mais de 90% das e dos agricultores do mundo são camponeses e indígenas, mas controlam menos de um quarto da terra agrícola mundial. E com essa pouca terra, as informações disponíveis mostram que produzem a maior parte da alimentação da humanidade. Se o campesinato e os povos indígenas continuarem a perder suas terras, estaremos diante de processos de extermínio de povos e culturas, e o mundo perderá sua capacidade de se alimentar. Precisamos urgentemente devolver a terra às mãos dos povos do campo e lutar por processos de reforma agrária e restituição territorial que viabilizem o direito a uma vida digna e o direito a existir como povos de quase metade da humanidade e, simultaneamente, permitam assegurar melhores sistemas alimentares.

A análise está publicada no sítio do GRAIN, 10-06-2014. A tradução é de André Langer.

Na abertura do Ano Internacional da Agricultura Familiar, em 2014, José Graziano da Silva, diretor geral daOrganização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), derramou-se em elogios sobre a agricultura familiar e assinalou que as famílias agricultoras trabalham atualmente a maior parte das terras agrícolas mundiais (1) – a bagatela de 70%, segundo sua equipe. (2) Em outro estudo publicado por várias agências dasNações Unidas em 2008 concluiu-se que os pequenos agricultores ocupavam 60% das terras aráveis do mundo. (3) Outros estudos chegaram a conclusões parecidas. (4) Com tais cifras, não é surpresa que os temas da reforma agráriaou da restituição territorial sequer sejam mencionados.



O assassinato de um camponês no Baixo Aguán, Honduras.(Foto: Manu Brabo / Assembleia de Cooperação pela Paz)


Se a maioria da terra de cultivo está em mãos camponesas, por que existem tantas organizações camponesas e indígenas que clamam por redistribuição de terras e reforma agrária? Porque apesar do que se diz, camponeses e indígenas não têm nem remotamente a maior parte da terra e, na realidade, em todos os lugares, o acesso à terra por parte dos povos rurais está sob ataque. De Honduras até o Quênia e daPalestina até as Filipinas, os povos foram desalojados das suas terras e vilarejos. Aqueles que resistem estão sendo presos ou assassinados. Lutas agrárias massivas na Colômbia, protestos de líderes comunitários emMadagascar, marchas nacionais de sem terra na Índia, ocupações na Andaluzia – a lista de ações é longa. Em resumo, a terra está se concentrando cada vez mais nas mãos dos ricos e poderosos e não na de camponeses e indígenas.

Em relação à produção de alimentos, ouvimos mensagens contraditórias. Nos últimos anos, cada vez mais centros acadêmicos e organismos internacionais reconheceram que mais da metade dos alimentos vem da pequena agricultura e, especialmente, da contribuição das mulheres. Mas, chegado o momento de buscar uma solução para a fome, ouve-se apenas falar em apoiar grandes concentrações de terras, a agricultura industrial e a monocultura transgênica, etc. Tudo isto porque o sistema industrial seria “mais eficiente”.

Ao mesmo tempo, nos é dito que 80% das pessoas com fome em nível mundial concentram-se em áreas rurais e muitas delas são agricultores ou trabalhadores agrícolas sem terra.

Como encontrar sentido em tudo isto? O que é verdade e o que não é? O que devemos fazer para enfrentar estes desequilíbrios? Para ajudar a responder a algumas destas perguntas, o GRAIN decidiu realizar um exame mais aprofundado destes fatos. (5) Examinamos país por país as informações disponíveis sobre a quantidade de terra realmente nas mãos do campesinato e dos povos indígenas e quantos alimentos produzem nessa terra. (6)

25 de março de 2014

Agricultura familiar x agronegócio

O discurso de que o agronegócio é o modelo responsável por alimentar o país e empregar a força de trabalho camponesa cai por terra quando se olha os dados do meio rural brasileiro. 

Segundo o censo rural do IBGE, a maior parte da produção para alimentação do povo brasileiro (70%) e emprego dos trabalhadores está na agricultura familiar, mesmo esta tendo menos crédito e poucas terras.

O agronegócio, por sua vez, concentra terras, recebe mais créditos e produz apenas 30% do que é consumido pela população. O resto da produção, em sua maioria commodities, é exportado.

fonte: mst

18 de dezembro de 2013

50 mil pessoas, 30 toneladas, 600 m² e nenhuma linha na mídia

Alan Tygel | Site do MST

O MST realizou durante dois dias a maior feira da Reforma Agrária já feita no Rio de Janeiro. Uma estrutura de 600 metros quadrados foi instalada no Largo da Carioca, uma das regiões mais movimentadas da cidade. No total, foram comercializadas 30 toneladas de produtos frescos e industrializados produzidos em assentamentos do Rio e de outros estados.

Estima-se que 50 mil pessoas passaram pelo local durantes as 30 horas de feira. Além da venda de produtos, ainda aconteceram 8 shows de bandas e grupos culturais, e 4 debates. Uma rádio web transmitiu o evento ao vivo.

Mesmo assim, a 4° Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes não mereceu sequer uma linha nos grandes veículos de comunicação. Nenhum dos veículos da Globo se dignou a noticiar o evento. O jornal O Dia, que à época do assassinato de Cícero deu o destaque de cunho altamente sensacionalista, também fingiu que nada aconteceu. Assim também o fizeram o portal UOL, que também hospeda o site da Folha de São Paulo, Veja, e Estadão.

As notícias da Feira ficaram por conta dos meios de comunicação públicos Agência Brasil, Rádio Agência Nacional, Rádio MEC e Rádio Nacional do Rio e daqueles realmente comprometidos com a informação da sociedade, como o Jornal Brasil de Fato e o Canal Ibase. Veja:

Feira da Reforma Agrária coloca produtos agroecológicos à venda no centro do Rio (Agência Brasil)

MST promove Feira Estadual da Reforma Agrária (Agência Brasil)

Feira no Rio reúne produtos de assentamentos da Reforma Agrária (Rádios Agência Nacional, MEC e Nacional do Rio)

Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes termina hoje (10) (Brasil de Fato)

“Estamos vivendo uma contra reforma agrária” (Canal Ibase)

A TV Memória Latina fez uma vídeo-reportagem sobre a feira, e a Rádio Levante Popular da Juventude transmitiu o evento:

IV FEIRA ESTADUAL DA REFORMA AGRÁRIA (TV Memória Latina).

Rádio Levante-RJ na IV Feira Estadual da Reforma Agrária do Rio de Janeiro (Rádio Levante)

No dia internacional dos Direitos Humanos, a Radio Agência Nacional ouviu um dirigente do MST em duas matérias:

Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 65 anos (Rádio Agência Nacional)

No Dia Internacional dos Direitos Humanos movimentos sociais denunciam situações de violência (Rádio Agência Nacional)

E para não passar 100% em branco, a reportagem da Rede Globo (Bom Dia Rio) concedeu 3 segundos ao filho de Cícero Guedes, quando o Movimento Humanos Direitos concedeu o Prêmio João Canuto ao militante assassinado. Mas não houve menção a ele no áudio.

Ativistas do Movimento Humanos Direitos se reúnem para comemorar dez anos de atuação (Atenção: você vai ser obrigado a ver 30 segundos de propaganda. Pense se vale a pena)

De fato, se não fizermos nossa própria comunicação, ninguém fará por nós. A Reforma Agrária dos meios de comunicação é mais urgente do que nunca.

11 de novembro de 2013

Política alimentar: o mundo não pode ser um grande supermercado

João Pedro Stedile "Política alimentar: o mundo não pode ser um grande supermercado"

Entre a população que consegue se alimentar, nos foi imposto uma padronização dos alimentos. Há quatrocentos anos, antes do advento do capitalismo, os humanos se alimentavam com mais de 500 espécies diferentes de vegetais. Há cem anos, com a hegemonia da revolução industrial, reduziu-se para 100 espécies diferentes de alimentos, que depois da lavoura passavam por processos industriais. E há trinta anos, depois da hegemonia do capitalismo financeiro em todo o mundo, hoje, a base de toda alimentação da humanidade está representada em 80% na soja, milho, arroz, feijão, cevada e mandioca.

O mundo virou um grande supermercado, único. As pessoas, independentemente do lugar onde moram, se alimentam com a mesma ração básica, fornecida pelas mesmas empresas, como se fôssemos uma grande pocilga a esperar passivos e dominados a distribuição da mesma ração diária.

http://www.mst.org.br/node/15428





27 de outubro de 2013

La voz del Viento - Semillas de transición (ainda sem legendas)

Um documentário inspirador sobre as novas formas de viver em comunidades agrícolas, que envolvem o colaborativismo, agricultura orgânica, consumo consciente, soberania alimentar, a economia solidária, preservação dos recursos, aproveitamento de energia, arte, respeito à natureza. Projetos que nasceram após o 15-M e que hoje se espalham pela Espanha, criando redes de belas alternativas ao capitalismo, que colocou o país de joelhos frente ao capitalismo. (docverdade)

Sinopse oficial: Jean Luc Danneyrolles, agricultor e Carlos Pons, documentarista espanhol organizam uma viagem até Granada para o encontro de movimentos sociais alternativos, entre agroecologia e mudança de paradigma. Pegam uma câmera e partem durante o inverno de fevereiro de 2012, levando com eles como moeda de troca uma grande coleção de sementes. O testemunho vivo de um movimento que cresce... Outro mundo se faz possível aqui e agora.


Dados sobre a viagem 21 dias, 35 projetos visitados, mais de 200 pessoas
Quer saber onde se localizam cada um desses projetos? Aqui o mapa.










30 de agosto de 2013

Repressão com mortes na Colombia

De: Brasil de Fato

Paralisação geral na Colombia

Dois mortos, dezenas de presos, centenas de feridos e bloqueios nas principais estradas. Esse é o cenário da greve geral dos trabalhadores rurais da Colômbia que chega ao seu décimo segundo dia. A paralisação, que envolve desde organizações de camponeses até todos os sindicatos e movimentos sociais do país, vem sendo duramente reprimida pelas forças opressoras do Estado. O presidente Juan Manuel Santos anunciou que enviará 50 mil soldados das forças militares para “dar apoio aos policiais”.

Leia mais aqui

26 de julho de 2013

Produção orgânica x Agronegócio - RN


Assentados resistem a projeto que quer tirá-los de suas terras no RN

Da Página do MST

Nesta quarta-feira (24/07) o MST e o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi, junto aos agricultores e agricultoras da região, ocuparam terras que fazem parte dos lotes desapropriados para o Perímetro Irrigado do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) na Chapada.

A ocupação foi feita com o objetivo de resistir contra o projeto do DNOCS, que consiste em desocupar as áreas dos trabalhadores rurais que produzem para a agricultura familiar, a fim de que a administração desta área seja feita por cinco empresas do agronegócio.

A região da Chapada do Apodi vem se consolidando como uma das experiências mais exitosas de produção de alimentos de forma agroecológica e familiar do nordeste, com destaque para arroz, frutas, criação de caprinos, ovinos e bovinos, projetos de piscicultura, além do mel de abelha, maior produtora de maneira orgânica do país.

Desta forma, o projeto de irrigação configura-se como uma Reforma Agrária ao contrário: "estão tirando as terras dos trabalhadores e trabalhadoras do campo para dar lugar ao agronegócio. Então vamos ocupar e resistir pela Chapada do Apodi”, é o que diz Damiana, do MST de Carnaubais.

Desde o ano de 2011, terras da Chapada do Apodi estão sendo desapropriadas para a construção do Perímetro Irrigado. Centenas de famílias estão sendo expulsas de suas terras para dar lugar a um projeto que, na visão dos trabalhadores, vai destruir as comunidades camponesas e todo o trabalho de agricultura familiar desenvolvido na região. Cerca de 200 pessoas estão na ocupação: homens, mulheres e crianças.

Dona Francisca, do Assentamento Nova Esperança do MST, garante que o número de assentados resistentes deve crescer: “Estamos esperando muitos companheiros que chegarão”. E completa: “A gente só consegue as coisas na luta”.

Dentre as associações dos assentamentos da Chapada do Apodi na resistência junto ao MST estão a Laje do Meio, Nova Descoberta, Milagres, Santa Cruz, Bamburral e Sítio do Góis.

Seu Titico, 64 anos, agricultor, apicultor e presidente da associação de Laje do Meio, de Apodi, defende que "se é para vir recurso do Governo Federal, então que venha para a agricultura familiar e não para o agronegócio, que só vai poluir nossas terras, nossas águas e explorar a nossa gente”.

Ivone, presidente da associação de Sítio Góis, fala da importância desta ação: “desta forma nós acordamos para a luta, e vamos acordar o poder público para as nossas reivindicações”. Sobre o porquê de estar lutando contra o projeto do DNOCS, Ivone responde: “Mesmo sendo assentado, a gente não está seguro, pois o governo está tirando a gente do campo pra dar nossas terras para o agronegócio.

Minha comunidade não foi desapropriada nesta etapa, mas vamos ser atingidos num futuro próximo, porque nossas terras são vizinhas à Laje do Meio, que já foi desapropriada. Não é uma cerca que vai livrar nossas hortaliças, nossa criação de caprinos, nossas abelhas do veneno que o agronegócio vai usar para plantar lá”.

A medida de ocupação pelo MST é apoiada por diversas instituições e movimentos sociais, como Marcha Mundial de Mulheres, CPT, Terra Viva, ASA, CUT e Coopervida. Na noite de quinta-feira (25/07), na altura do quilômetro 405 da BR, os movimentos impediram o fluxo de transportes, a fim de dizer não ao projeto.

A intervenção na BR 405 faz parte do ato do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural. Para o secretário do STTR Apodi, Agnaldo Fernandes, os movimentos pretendem chegar ao diálogo e a uma resolução para que os homens e mulheres do campo possam continuar em suas terras produzindo agricultura familiar.

6 de junho de 2013

Paranoia da inflação e hipocrisia da burguesia


POR JOÃO PEDRO STEDILE

A imprensa burguesa tem propagandeado que a inflação está fora do controle com a divulgação de noticias, artigos e comentários de políticos de oposição ao governo federal.

Com isso, colocam o tema dos preços como um fantasma atrás da porta de cada família brasileira, prestes a assaltá-la e tomar o seu dinheiro.

A construção dessa paranoia começou com a divulgação de matérias sensacionalistas sobre o aumento do preço do tomate, como se a valorização desse alimento tivesse de forma isolada incidência real na inflação dos gastos da maioria da população.

Qualquer estudante do primeiro ano de economia já sabe que os estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Getúlio Vargas têm diversos itens do orçamento doméstico médio dos brasileiros, sobre o qual se calcula o aumento da inflação real para as famílias.

Depois da criação da “crise do tomate”, a mídia burguesa tem apelado a cada dia para outros produtos, tentando criar novos factoides.

Essa manipulação grosseira se baseia em duas táticas complementares.

A primeira delas é criar na população paranoias e preocupações desnecessárias que resultem em ações de massa que desgastem o governo.

Essa tática deu resultado, por exemplo, com o boato de que a Bolsa Família iria acabar.

Com isso, 900 mil representantes das famílias mais pobres, desinformados ou mal informadas, correram para as agências da Caixa, provocando um verdadeiro tumulto, sobretudo nas cidades do Nordeste.

Hipocrisia descarada

A segunda tática da burguesia é jogar uma cortina de fumaça sobre os verdadeiros problemas do país, lançando mão da hipocrisia descarada.

Em primeiro lugar, a burguesia e seus meios de comunicação sabem que existe uma tendência geral de aumento dos preços de todas as mercadorias que estão na sociedade, independente do preço de um único produto.

Ora, se há uma tendência de aumento de preços em todas as mercadorias, quem são os atores econômicos que aumentam os preços?

São exatamente os capitalistas proprietários das fábricas, supermercados ou lojas do comércio.

Portanto, é a base social tucana que opera o aumento dos preços, beneficiando-se com o aumento dos seus lucros.

Assim, o discurso por trás da inflação esconde interesses de classes.

Em segundo lugar, ao mesmo tempo em que exageram nas notícias sobre um “descontrole inflacionário”, fazem pressão pelo aumento das taxas de juros.

Nós, brasileiros, já pagamos os juros mais altos do mundo.

A taxa média de juros paga na economia pelos comerciantes e pelos consumidores é de 58% ao ano.

Os bancos que financiam esses empréstimos ganham 52% de lucro líquido, com a inflação em torno de 6% ao ano.

Não existe paralelo no mundo para a lucratividade dos bancos com crédito no Brasil.

Com isso, os brasileiros ficam endividados no cartão de crédito ou no cheque especial, que têm taxas que ultrapassam em média 100% ao ano…

Ou seja, é um verdadeiro assalto.

Para efeito de comparação, a taxa média de lucro nas economias centrais é de 13% ao ano. Essa taxa já faz brilhar os olhos dos capitalistas nesses países…

Nenhum porta-voz da burguesia brasileira protesta nos jornais, revistas e nas TVs contra esse assalto aos brasileiros que o capital financeiro pratica todos os dias.

Ao contrário.

Esses ideólogos defendem aumentos das taxas de juros como uma pretensa medida para controlar o consumo das massas e impedir o tal descontrole da inflação.

A terceira hipocrisia da burguesia é omitir que a taxa de câmbio da nossa moeda em relação ao dólar é irreal.

A comparação dos preços das mercadorias em dólar nos Estados Unidos e em real no Brasil indica uma taxa de câmbio necessária ao redor de U$S1,00 por R$3,00.

Essa posição é defendida por diversos especialistas da área.

A atual taxa de câmbio próxima a U$S 1,00 por R$2,00 está provocando um processo de desindustrialização da economia brasileira e reprimarização das exportações.

A produção das manufaturas, que geram emprego e valor agregado, não consegue mais competir no mercado internacional.

Essa taxa de cambio é provocada pela emissão descontrolada do papel dólar pelo governo dos Estados Unidos e pela avalanche de capital financeiro especulativo em nosso país, que vem para cá se proteger da crise.

Nenhuma palavra dos porta-vozes da burguesia sobre o “descontrole” da taxa de câmbio.

Ou seja, a mídia da classe dominante sequer protege sua fração industrial.

Controle dos alimentos

A quarta hipocrisia é esconder que grande parte dos produtos agrícolas que se transformam em alimentos no mercado interno é controlado por um oligopólio formado por empresas transnacionais.

Depois da crise de 2008, houve uma corrida do capital financeiro internacional e das empresas transnacionais sobre as chamadas commodities para se proteger da perda de dinheiro.

Assim, fizeram um brusco movimento especulativo, que fez com que os preços das commodities aumentassem em três anos, em todo mundo, nada menos do que 200%.

Esse aumento de preço foi repassado para os consumidores de alimentos.

Portanto, o aumento de certos produtos alimentícios tem como responsáveis os que multiplicaram os seus ganhos: as grandes empresas do agronegócio, como Bunge, Monsanto, Unilever, Cargill, Nestlé, Danone, entre outras.

A quinta hipocrisia da mídia burguesa é ignorar que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de milho, enquanto a falta de alimentos dizima 18 milhões de cabeças de bois, vacas, porcos e bodes no Nordeste.

Foram colhidas 60 milhões de toneladas de milho na última safra.

No entanto, diante da pior seca no Nordeste, morrem os animais criados por camponeses da região.

A morte desses animais será uma perda irreparável para a população nordestina, que pode demorar uma geração para repor o rebanho dizimado.

As famílias se salvaram da fome graças a saques, aos benefícios do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) e ao programa Bolsa Família, que garantiram renda para fazer a feira e se alimentar.

Diante dessa situação, a presidenta Dilma Rousseff mandou seus ministérios tomarem providências.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário resolveu doar tratores produzidos no Sul para as prefeituras do Nordeste. Foi só um negócio que não alterou questões estruturais.

Independente da situação, o Ministério da Integração Nacional continuou com a distribuição de lotes de perímetros irrigados para empresários do Sul, em vez de beneficiar os camponeses da região que padecem com a falta de água.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi autorizada a comprar milho para levar para o Nordeste e salvar o rebanho.

No entanto, a companhia fez vários editais e não encontrou quem vendesse milho suficiente para a demanda. Por quê?

A safra de milho é controlada por empresas transnacionais.

A Cargill e a Bunge exportaram nada menos que 18 milhões de toneladas de milho para os Estados Unidos no último ano.

Esse milho voltou ao país como etanol, importado por esses mesmas empresas.

Com isso, o preço do etanol se mantém bem acima do seu valor real.

Se o governo quisesse resolver o problema, poderia requisitar a produção de milho, proibir as exportações e salvar o rebanho no Nordeste, enfrentando o problema das mortes dos animais causado pela seca.

Nenhuma palavra na imprensa burguesa sobre a falta de milho no país campeão de produção agrícola.

Na verdade, foram escondidas as raízes da perda do rebanho no Nordeste.

Dessa forma, a mídia burguesa demonstra seu compromisso com o interesses do grande capital financeiro internacional.

Os meios de comunicação da classe dominante, “preocupados” com a inflação, omitem questões centrais relacionadas à formação dos preços no país.

Assim, os verdadeiros problemas que a sociedade brasileira enfrenta ficam submersos diante da manipulação e da hipocrisia dos donos de jornais, revistas e redes de televisão.

6 de fevereiro de 2013

Produtores de café associados mudam de vida no ES

Projeto une lavouras mais produtivas com preservação do meio ambiente.
Associação mudou a realidade dos agricultores da comunidade.
Do Globo Rural

Veja o vídeo aqui

A comunidade Palmeiras, cujo nome vem das palmeiras que dominam o morro, fica no município de Mimoso do Sul, perto da divisa com o Rio de Janeiro. O lugar, formado por 40 famílias, se destaca pelo plantio de banana e, principalmente, pelas lavouras de café conilon, produto mais importante da região. As áreas de cultivo são pequenas e variam de três a cinco hectares.

O agricultor José Cláudio Carvalho e a esposa, Rosa Machado, nasceram e cresceram na comunidade.

As transformações em Palmeiras começaram em 1991, ano em que um madeireiro de fora da cidade comprou um lote de terra e começou a cortar árvores no alto do morro. O desmatamento, que colocava em risco as nascentes e os rios da comunidade gerou uma reação. Pela primeira vez, os agricultores decidiram agir em grupo.

No início, a associação, fundada em 1992, enfrentou dificuldades. Como a experiência era nova, muitas pessoas desconfiavam desse trabalho. Aos poucos, com muitas conversas, acertos e erros, as reuniões foram ficando cheias e o resultado apareceu.

Na primeira mudança, os agricultores começaram a trabalhar nas lavouras em um esquema de mutirão. No trabalho em grupo, os vizinhos não precisavam mais gastar com mão de obra na hora da colheita.

Motivados pelo novo ambiente de trabalho, os agricultores decidiram resolver a questão da baixa produtividade das lavouras de café, outro problema sério da comunidade. Para isso, entraram em contato com entidades de pesquisa e assistência técnica da região.

As melhorias causaram uma disparada na produtividade das lavouras. Antes, os agricultores não colhiam mais do que 10 sacas por hectare, hoje, a colheita na mesma área, passa facilmente de 70 sacas.

Uma das maiores dificuldades dos agricultores de Palmeiras era vender bem a produção de café. Cada família comercializava suas sacas por conta própria e como o volume era pequeno, os atravessadores desvalorizavam o grão.

A virada começou quando a associação entrou em contato com o Cetcaf, Centro Tecnológico do Café, uma organização não-governamental que faz pesquisa e transferência de tecnologia. O objetivo era montar uma unidade moderna de beneficiamento que permitisse tanto o trabalho em grupo quanto a melhoria da qualidade do café.

Com o projeto do Cetcaf e apoio da cooperativa local, a beneficiadora saiu do papel em 2006. Os equipamentos foram todos doados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

A venda do café também passou a ser feita de maneira coletiva, o que garante preços melhores. Além do ganho extra pela qualidade, o agricultor José Cláudio Carvalho diz que, de uns anos pra cá, o café da comunidade passou a ser exportado para a Europa com um selo social, o que aumenta ainda mais o preço do produto.

O chamado fair trade, que quer dizer comércio justo ou comércio solidário, foi conseguido em um projeto da Cafesul, a cooperativa da região. Para manter a distinção, os agricultores têm que manter as crianças na escola, seguir as leis do trabalho e respeitar a natureza.

A associação também resolveu diversificar e apostar em novas fontes de renda para a comunidade. Confira o vídeo com a reportagem completa e conheça o trabalho das agricultoras com a industrialização caseira.

24 de janeiro de 2013

Assentamento Milton Santos em risco de ser "pinheirinhado" pela polícia.

De http://observareabsorver.blogspot.com


A terra é pouca, perto dos sete mil hectares que a cercam e que pertencem à usina de cana. O movimento dos fazendeiros tem outro endereço.

Canudos foi a mesma coisa. Era um punhado de sertanejos que dava seu jeito pra viver, de forma comunitária e sem propriedades, pois a terra era de todos. Não incomodava à recém nascida república, nem era assunto nacional, até que os fazendeiros ricos pressionaram pra acabar com aquilo. Afinal era um tremendo "mau exemplo" pra população miserável e explorada, vivendo comunitariamente, dividindo tudo, repartindo alimentos e medicinas, independentes dos poderosos da época. Aí eles viraram uma "ameaça à segurança nacional", "monarquistas reacionários", subversivos perigosos. Bueno, eles se provaram perigosos quando o exército foi mandado pra destruir aquela comunidade, resistindo e destruindo várias incursões, pondo a "segurança pública" da época pra correr com o rabo entre as pernas e produzindo montes de mortos e feridos. Até que a última tentativa, em imensa superioridade numérica e de armamentos (até canhões foram usados), teve êxito, à custa de milhares de mortos. A resistência durou até o fim. Sobraram dois velhos, um homem e duas crianças, se bem me lembro. Canudos não representava perigo direto, mas oferecia um exemplo que os poderosos locais não suportavam, em sua ânsia de predomínio e usufruto, de controle e exploração. O que fariam se seus empregados, miseráveis, se juntassem ao grupo? Independência dos pobres assusta os ricos e os torna criminosos em seu ódio. Em sua mentalidade torta, é muito atrevimento dos pobres quererem ser independentes, autônomos, ao invés de servis, dóceis e prestadores de serviços a troco de migalhas. Esse é um dos terrores das elites, que fazem pose mas são dependentes dos pobres pra tudo.

No Assentamento Milton Santos as práticas cotidianas assustam os patrões locais. Ameaçam os padrões sociais vigentes, de acumulação de riqueza e poder para alguns e espoliação e exploração da maioria. São apenas 140 hectares, insignificantes para a usina. Uma mixaria de terra, perto dos sete mil hectares. Não é a terra o que lhes interessa, embora sempre some mais um pouco. A intenção é acabar com o "mau exemplo", dessa vez muito mais abrangente. Afinal, em 2006, quando foram assentadas as famílias, a terra estava esgotada pela contínua plantação de cana, envenenada com fertilizantes químicos e resíduos tóxicos da fumigação de venenos contra pragas e ervas daninhas, a água era poluída. Mas com muito trabalho, muito suor, esforço e sacrifício, conseguiu-se tornar a terra novamente produtiva, sem uso de químicas nocivas tanto ao meio ambiente quanto à saúde dos agricultores. Hoje essa terrinha produz mais de trezentas toneladas de alimentos por ano, consumidas na região metropolitana de Campinas e entorno, com doações para entidades de assistência (asilos, orfanatos, ...) e mantendo uma existência digna, sem fome ou miséria. Encravados no meio de latifúndio, contrastam com a miséria da população circundante, explorada pelos fazendeiros da área. Daí o ódio dos exploradores, usufrutuários da miséria e dependentes dela. Daí as manobras pra desfazer esse embrião de reforma agrária. Ricos não suportam independência de pobres, não suportam pobres que se esclarecem e entendem os porquês da miséria, desde a manipulação econômica e midiática das marionetes políticas.

O que está em jogo não é um pedaço de terra. É uma forma de vida, de resistência com base na cooperação, na solidariedade e no compartilhamento. Tudo o que apavora o sistema imposto pelos mais ricos. Agricultura ecológica, livre de químicas nocivas, desagrada as multinacionais da transgenia e dos chamados defensivos agrícolas - que antes eram usados nas guerras químicas. O modo de vida comunitário desagrada os que exploram o trabalho dos outros.

O que move a tentativa de destruir o Assentamento Milton Santos é o medo. O medo que os ricos têm de pobres organizados, esclarecidos, solidários e insubmissos à sua exploração.


Vídeo com o professor Paulo Arantes:
Popout

Blogue da rapaziada: http://www.assentamentomiltonsantos.com.br/


10 de janeiro de 2013

Exploração da Colônia



POR JOÃO PEDRO STEDILE

“A matriz produtiva imposta pelo modelo do agronegócio é economicamente inviável, pois depende da importação, anotem, todos os anos, de 23 milhões de toneladas de fertilizantes químicos que vêm da China, Uzbequistão, Ucrânia etc. Está totalmente dependente do capital financeiro que precisa todo ano repassar: 120 bilhões de reais para que possa plantar. E subordinada aos grupos estrangeiros que controlam as sementes, os insumos agrícolas, os preços, o mercado e ficam com a maior parte do lucro da produção agrícola.”

Leia mais aqui

18 de dezembro de 2012

Real socialismo

Marinaleda é uma cidade/município da província de Sevilha , Andaluzia , Espanha, que funciona como uma cooperativa agrícola de 2.650 pessoas.

22 de agosto de 2012

Entrevista com João Pedro Stédile


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é uma das principais organizações populares do Brasil. A revista Estopim entrevistou o membro da coordenação nacional do movimento e um dos seus fundadores, João Pedro Stédile. Para ele a reforma agrária no Brasil não é mais uma disputa entre sem terras e latifundiários e, sim, uma “disputa do povo brasileiro, da classe trabalhadora contra a aliança dos fazendeiros, dos grandes proprietários de terras com as empresas transnacionais do agronegócio e dos bancos”.
Nesta entrevista, o destacado líder do movimento, tratou de diversos temas, tais como: governos progressistas na América Latina, golpe no Paraguai, eleições na Venezuela, Rio + 20 e os governos de Lula e de Dilma. Além do indispensável tema quando se trata de João Pedro Stédile, a reforma agrária no Brasil.
***
ESTOPIM – Como anda a conjuntura política na América Latina? Quais são os processos mais avançados e os mais estagnados? E a reforma agrária, como está?

J.P. – A América Latina está vivendo uma conjuntura positiva para a classe trabalhadora em geral, pois saímos da hegemonia total dos Estados Unidos e do neoliberalismo com a eleição de diversos governos progressistas em todo o continente. E, agora, há uma disputa permanente do futuro do continente ao redor de três projetos ou propostas.
O primeiro é a retomada da ofensiva dos Estados Unidos, que quer recolonizar a região e transformá-la apenas em fornecedora de matérias primas e energia para ter lucro máximo para suas empresas que por aqui operam. Há um segundo projeto que defende uma integração continental, sem os americanos, mas ainda nos marcos dos interesses das empresas capitalistas. E há um terceiro projeto, que nós chamamos de Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), que se propõe a fazer uma integração econômica, política e cultural, que juntasse governos progressistas com as organizações populares.
Essas três propostas se enfrentam todos os dias em todos os espaços. A cada eleição presidencial haverá candidatos dos três projetos. A vitória de Fernando Lugo [presidente deposto do Paraguai], fortalecia o projeto dois e três, e representava um alento para a região do Cone Sul, pois derrotou as oligarquias paraguaias depois dos sessenta anos de ditadura do Partido Colorado.
Do ponto de vista de processos de mudança, cada país é diferente do outro, pois a correlação de forças e a forma de organização das classes é diferente. No entanto, a tendência geral é que apesar de terem sido eleitos diversos governos progressistas, com exceção da Bolívia, não há um processo de reconstrução do movimento de massas no continente. Mesmo na Venezuela as mobilizações mais ativas se realizam em torno do processo eleitoral e não das mudanças estruturais necessárias, que são desejadas inclusive pelo governo Chavéz.
Portanto, vivemos ainda em cada país correlações de força de equilíbrio, em que a classe trabalhadora ainda não tomou a ofensiva para disputar projetos.
E a reforma agrária está condicionada a essa correlação de forças. Só haverá avanços na reforma agrária quando as classes populares como um todo pautarem um projeto popular de desenvolvimento em cada país.   E, justamente por isso, os avanços têm sido pontuais. Avançou-se na Venezuela com a desapropriação de quase todos os latifúndios, mas falta à classe camponesa tomar em suas mãos a reconstrução do setor agrícola. Avançamos na Bolívia em termos de fixar um tamanho máximo para a propriedade, em termos de legislação de proteção da biodiversidade e das sementes, mas ainda não avançamos para reorganização do agronegócio. E, nos demais países, os avanços são pontuais, estando em geral mais relacionados com a solução de problemas ou conflitos sociais pontuais, regionais.

ESTOPIM – No caso do Paraguai, o conflito agrário foi usado para organizar o golpe?

J.P. - O governo Lugo representava uma inflexão da política paraguaia em aliança com os governos progressistas, as oligarquias locais jamais aceitaram essa derrota. Tanto que tentaram vinte e três vezes, ao longo dos quatro anos, derrubar o governo. Imagine que eles nunca aceitaram que o governo Lugo indicasse sequer o embaixador aqui no Brasil. O cargo ficou vago durante os quatro anos. O senado paraguaio foi o único que não aceitou a entrada da Venezuela no Mercosul, porque isso era contra os interesses dos americanos.
E a conjuntura favorável para a mudança do governo só aconteceu quando o governo dos Estados Unidos, aliado com as grandes empresas transnacionais do agronegócio que controlam a agricultura paraguaia, deu o sinal verde, pois temia um maior avanço do Mercosul. E assim foi dado o golpe.
O conflito agrário em que morreram onze sem terras e quatro policias não foi um conflito por terra. Foi uma armadilha montada pela direita. Hoje é cada vez mais forte a hipótese de que as balas que mataram os sem terras e os policias saíram das mesmas armas.   Lugo constituiu uma comissão para investigar o caso. Mas os senadores e toda direita paraguaia utilizaram o acontecimento como uma espécie de estopim emocional. Tanto foi assim que com a perpetuação do golpe a comissão da Procuradoria Geral da República foi imediatamente cancelada. E, mais uma vez, um crime ficará impune.
O problema é que o Paraguai é o único país do mundo corrupto a ponto das oligarquias locais entregarem nada menos do que vinte e cinco por cento de todas as melhores terras para fazendeiros estrangeiros. Um só fazendeiro brasileiro possui mais de um milhão de hectares, de terras públicas griladas, recebidos da ditadura Strosnner. O Paraguai é o país com maior concentração da propriedade da terra em todo o mundo. Cerca de trezentos e cinquenta e um grandes proprietários controlam quase setenta por cento de todas as terras. E há em torno de duzentas mil famílias de camponeses paraguaios sem terra.
Esse é o verdadeiro problema – que continuará latente até que uma verdadeira democracia seja construída por lá.

ESTOPIM – A conferência Rio + 20 conseguiu avançar em algum ponto importante para a questão do meio ambiente? E a Cúpula dos Povos?

J.P. - A Conferencia Rio+20 reuniu os mais diferentes setores da sociedade mundial e chegou-se a diferentes conclusões por parte dos diferentes grupos. Os governos se reuniram, produzindo um documento pífio, pior do que o da Eco-92. A conferência não passou de um teatro, sem importância, sendo que a maioria dos atores dos governos poluidores sequer compareceu.
Os empresários também se reuniram no Forte Copacabana e nos hotéis da Zona Sul. Tiraram documentos interessantes e, alguns deles, se comprometeram a ganhar mais dinheiro com a propaganda do meio ambiente daqui por diante. Outros, mais espertos, querem privatizar até o ar, o oxigênio produzido pelas florestas tropicais, transformá-lo num direito de propriedade privada e vendê-lo como papéis na bolsa de valores. São os chamados créditos de carbono. E, o pior, já começaram a fazer isso na Europa. E há outros setores empresariais, os mais poluidores, as empresas automobilísticas, petroleiras, mineradoras, siderúrgicas, os bancos, que são os que dominam o capitalismo mundial – esses fizeram de conta que a conferência não existiu e ficaram quietos. Alguns até patrocinaram eventos no Rio.
Houve ONGs ambientalistas e setores indígenas que também fizeram seus encontros e caíram de novo na ilusão de ir à conferencia dos governantes e tentar influenciar a produção do documento. Perderam tempo. Mas elas vivem disso. De enganar-se e, as vezes, conseguem alguns segundos em alguma televisão, que também precisa dar o “outro lado”.
E, por fim, tivemos a Cúpula dos Povos reunindo as entidades ambientalistas, os povos indígenas, os movimentos sociais do campo e da cidade, reunidos no Aterro do Flamengo. Nesse evento, combinamos três iniciativas muito importantes: articulação de ideias entre nós, para compreendermos melhor o que está acontecendo no mundo pela ação do capital, em período de crise. Em segundo lugar, procuramos articulações, ações concretas para o futuro, juntando nossas forças contra o capital e sua sanha devastadora do meio ambiente. E, por último, procuramos nos manifestar para a sociedade carioca, brasileira e mundial, com a realização de diversas passeatas e manifestações ao longo da semana. Na minha opinião, fomos muito produtivos e exitosos em todas essas atividades.

ESTOPIM – A fazenda Cedro, localizada em Marabá e de propriedade do banqueiro Daniel Dantas, pode ser considerado o centro do conflito agrário brasileiro hoje? Corremos o risco de um novo “Eldorado dos Carajás”?

J. P. - A fazenda Cedro é uma das dezenas de fazendas que o Banco Oportunity comprou no sul do Pará, reunindo ao redor de quinhentos mil hectares e mais de seiscentos mil cabeças de gado. Mas o sr. Dantas é apenas testa de ferro de fundos de investimento norte-americano. É um lúmpen burguês brasileiro. Ele investiu esses recursos por lá em apenas três anos, primeiro para transformar esse capital financeiro, fictício, em patrimônio em bens naturais e, assim, se proteger da crise. Segundo, porque além das terras, abaixo delas, ele detém a outorga da exploração de muitos minérios na região. E, portanto, em um futuro próximo, o objetivo não é boi. Nenhum fundo de investimento acha que se ganha dinheiro com pecuária extensiva abatendo uma cabeça a cada cinco anos. O objetivo deles é terra e minérios. Dos quinhentos mil hectares que eles compraram da oligarquia rural paraense, o MST ocupou apenas seis fazendas. Estamos disputando na justiça, no Incra e com o governo. Os advogados do Dantas já nos procuraram para fazer acordo. Eles entregariam pro Incra cinco delas, para reforma agrária, mas querem que a gente saia de uma delas, que provavelmente deve ter a maior reserva mineral.
Essa é a disputa atual.
Não há risco de novo Carajás porque o agronegócio atual, como expliquei acima, não precisa mais usar as armas, agora ele usa a televisão onde tem hegemonia completa. A verdadeira disputa não é mais sem terras versus latifundiários. Agora, a disputa é do povo brasileiro, da classe trabalhadora contra a aliança dos fazendeiros, dos grandes proprietários de terras com as empresas transnacionais do agronegócio e com os bancos. É por isso que essa disputa não se resolve mais apenas nas ocupações das terras. Será uma solução política e disputada por toda sociedade brasileira. Esse é o dilema. A questão da terra agora é nacional, é de classe, não é mais um problema dos sem terras ou de simples pobreza no campo.
Revista Estopim agosto 08, 2012

Os alimentos que estão em risco de extinção no Brasil

Por Leonardo Sakamoto
Do Blog Sakamoto

Há cerca de 800 alimentos que correm o risco de sumir do mapa, de entrar em extinção mesmo, como certos animais. Dezenas deles só no Brasil.

Xavier Bartaburu, um dos grandes repórteres de nossa geração, conhece o país de ponta a ponta.

Agora, ele está visitando comunidades brasileiras onde esses alimentos são produzidos de forma artesanal e sustentável para contar suas histórias. Garantir a preservação deles não é importante apenas por questões de biodiversidade, mas também porque esses alimentos nos lembram como chegamos até aqui e a nossa identidade.

Pedi para o Xavier um texto para o blog sobre esses alimentos em risco. Leia mais aqui..

4 de junho de 2012

Arena Socioambiental



Uma exposição que reúne histórias de brasileiros e brasileiras que tiveram suas vidas transformadas por políticas públicas e sociais. Esse é mais um destaque da Arena Socioambiental, que vai levar à Rio+20 histórias como a de dona Tereza, líder de uma cooperativa de agricultores familiares fornecedora de merenda escolar em Paragominas/PA. Confira!
Fonte: Arena Socioambiental

24 de abril de 2012

Militantes do movimento Occupy nos EUA fazem ação em solidariedade ao MST



Moradores do município de Albany (Baía de São Francisco, na Califórnia, EUA), agricultores, estudantes, pesquisadores e ativistas ocuparam nesse domingo (22) uma área pública conhecida como Lote Gill, administrada pela Universidade da Califórnia.

A ação batizada de Occupy the Farm (Ocupar a Fazenda), foi realizada no mês de abril em solidariedade à Via Campesina e ao MST, já que nesse período são feitas diversas ações na luta pela terra para relembrar a morte de 21 Sem Terra no município de Eldorado dos Carajás, no Pará. A operação conduzida pela Polícia Militar em 1996 ficou conhecida como o Massacre de Eldorado dos Carajás.

O Lote Gill é um dos últimos remanescentes de 10 hectares de solo agrícola Classe I (ideal para agricultura) na área urbana de Albany, Baía de São Francisco, Califórnia. O Lote Gill é terra pública administrada pela Universidade da Califórnia, que no entanto, está a venda para construtores privados.

Durante décadas, a Universidade da Califórnia tem frustrado as tentativas da comunidade de transformar o local para agricultura urbana sustentável e educação participativa. Com desrespeito deliberado pelo interesse público, os administradores da Universidade planejam pavimentar esse privilegiado solo agrícola para uso comercial de um supermercado, WholeFoods, e um estacionamento.

"Durante dez anos, as pessoas de Albany tentaram transformar o Lote Gill em uma Fazenda Urbana e um espaço mais aberto para a comunidade. As pessoas na área da Baía merecem usar este tesouro da terra para agricultura urbana que possa ajudar a proteger o futuro da nossas crianças ", explica Jackie Hermes-Fletcher, uma moradora de Albany e professora de escola pública por 38 anos.

A Universidade da Califórnia decidiu privatizar este recurso público singularpara espaço comercial e, ironicamente, uma mercearia de alto-padrão. Este é apenas o último de uma série de esquemas de privatização. Ao longo das últimas décadas, a universidade tem deslocado cada vez mais o uso do Lote Gill da agricultura sustentável para a biotecnologia, com financiamento de empresas como a Novartis e BP.