Mostrando postagens com marcador energia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador energia. Mostrar todas as postagens

4 de março de 2016

O golpe da Exxon, Chevron, BP e Shell


Atual crise econômica mundial é resultado de manobra política criada por gigantes petrolíferas norte-americanas, afirma Caleb Maupin

O jornalista e analista político norte-americano Caleb Maupin trouxe à tona o controle mundial que as quatro grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, Exxon Mobil, Chevron, British Petroleum (BP) e Royal Dutch Shell exercem na economia mundial

Durante sua palestra no II Congresso da Central de Sindicatos Brasileiros, Caleb Maupin indagou: “Quem são as pessoas mais ricas do mundo? Muitos vão responder Bill Gates, algum sultão ou príncipe saudita ou talvez alguém cite algum novo rico que está na lista das 100 pessoas mais ricas do mundo da revista Forbes. Mas tudo isso é bobagem. Se compararmos essas pessoas com quem realmente detém o poder, elas são consideradas pobres; são tão pobres que possuem toda a fortuna em seu nome. Aqueles que têm o maior poder de riqueza detêm uma riqueza tão astronômica que muitas vezes seu valor líquido sequer pode ser calculado. As pessoas mais ricas do mundo podem ser descritas em duas palavras: banqueiros do petróleo. Rockefellers e DuPonts são dinastias que estão no centro de uma pequena rede de influência enraizada, dominando as economias dos Estados Unidos da América, da Europa Ocidental, Arábia Saudita e da maior parte do mundo”, afirmou.

“Para se entender as dimensões da influência das quatro gigantes do petróleo, podemos citar que o terreno onde foi construída a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) foi doado pelos Rockefellers, proprietários da Exxon Mobil, que também têm participação nos poços de petróleo da Arábia Saudita. A JP Morgans, empresa que possui participação da mesma família, possui cerca de seis mil contratos com o Pentágono”, contou Maupin, que participou do planejamento do Occupy Wall Street, movimento de protesto contra a desigualdade econômica e social, a ganância, a corrupção e a influência do setor financeiro.

O analista elucidou que, diante do panorama político atual, não se pode separar a política externa norte-americana das grandes companhias de petróleo.

“Basta observarmos quais os países foram os principais inimigos dos Estados Unidos nas últimas guerras. Todas as nações que entraram em guerra com os EUA eram grandes exportadores de petróleo no mundo. Eles acabaram temporariamente com a produção de petróleo desses países. Esse é o processo que os Estados Unidos da América usam para desenhar a geopolítica e dominar a economia mundial”, recordou.

Crise do petróleo

Com as guerras nos países exploradores de petróleo, o preço do barril subiu no início dos anos 2000 e gerou grande lucro para as quatro gigantes do petróleo.

Para Maupin, “essas ações criaram problemas para essas companhias”.

O jornalista relembra que, “em 2003, Hugo Chávez assumiu o governo da Venezuela e estatizou as petroleiras, repassando o lucro do petróleo para a educação e saúde. Na Rússia, Vladimir Putin assumiu o poder e colocou a economia do país nos eixos, e voltou a exportar petróleo e gás. Por sua vez, as pequenas empresas exploradoras do combustível fóssil também cresceram. Neste período, a Petrobrás cresceu mais que a Microsoft e se tornou uma das três grandes empresas do petróleo; tornou-se a base da independência econômica. Tudo isso passou a ameaçar e incomodar a hegemonia das gigantes do petróleo”.

Sobre a estatal brasileira, o jornalista alertou os dirigentes da CSB para os riscos no Brasil.

“Eu vou dizer isso como uma pessoa que observa a economia do mundo, e não como norte-americano. Eu, humildemente, peço a vocês que não desistam da Petrobrás. Não deixem os Rockefellers e DuPonts dominarem o Brasil. Preservem a República e os seus recursos naturais. As forças do mal por trás do capitalismo e do neoliberalismo não têm lealdade, eles não têm um lado ou um deus, eles apenas cultuam seus próprios lucros e obedientemente seguem as teorias malucas do Adam Smith”, disse o palestrante.

Maupin explica que a atual baixa de preços do petróleo foi estimulada por uma manobra da Arábia Saudita para prejudicar as economias da Rússia, Irã, Venezuela e dos chamados “nanicos do petróleo”, que são companhias de pequeno porte exploradoras de petróleo, as quais, em sua maioria, são comandadas pelos irmãos Koch, oposição declarada aos Rockefellers.

Maupin classificou esta manobra saudita como “esquema Walmart”.

“O Walmart chega a uma nova cidade, baixa seus preços, quebra todo o comércio local, livrando-se da concorrência. Depois eles sobem seus preços de novo. E é isso o que a Arábia Saudita, com o apoio dos EUA, está fazendo em escala global. Por razões extremamente egoístas, os Rockefellers estão brincando com fogo e queimando toda a economia global. A crise criada com a baixa dos valores dos barris de petróleo tem afetado o mundo inteiro, o preço de todas as commodities está caindo no mundo. Os Estados Unidos e muitos países estão enfrentando uma crise econômica como consequência”, sentenciou.

Para o jornalista, a solução para este cenário está nas sociedades.

Segundo Maupin, quando o povo dá as mãos e luta por sua economia, o mundo muda. “É assim que a vida das pessoas melhora. Para um país se tornar uma superpotência, não precisa de marxismo ou stalinismo, mas precisa que as lideranças amem sua pátria, e não os banqueiros do petróleo. Vida longa à CSB, vida longa à Petrobrás. Viva o poder do povo”, concluiu Caleb Maupin.

27 de dezembro de 2013

Ciclopistas e energia renovável na Alemanha



No vídeo abaixo,mostramos como a Alemanha abre caminho para os ciclistas: ciclovias, ciclofaixas, mega estacionamentos de bikes e sistemas gratuitos de compartilhamento de bicicletas. Você vai conhecer um brasileiro que escolheu viver no país principalmente pela facilidade de transporte. Ele destaca que, a qualquer hora do dia, é possível se locomover sobre duas rodas no país. Berlim tem mil quilômetros de ciclovias. Quase 10% dos deslocamentos diários são feitos na base do pedal e o número de bicicleta supera o de carros e chega a 74 milhões!

http://g1.globo.com/globo-news/cidades-e-solucoes/videos/t/programas/v/entenda-o-motivo-da-alemanha-estar-a-frente-de-uma-revolucao-energetica/2954156/

Postado no Pensar a cidade 

26 de novembro de 2013

Brasileiros desafiam leis da física e geram energia através da gravidade





Inacreditável máquina gigante pode gerar energia limpa aproveitando uma fonte eternamente disponível



Depois de anos de suspense e anúncios misteriosos nas páginas dos jornais de Porto Alegre, finalmente foi concluída a montagem de um gerador que aproveita a força da gravidade para gerar energia renovável. Conhecido como moto-contínuo, o sistema aproveita uma fonte interminável sem emitir poluição no ambiente e nem aumentar a temperatura do planeta.

Disponível a qualquer hora, em qualquer lugar e na quantidade que for necessária, a energia da gravidade do planeta é aproveitada sem causar desequilíbrios no meio ambiente, diferente dos métodos convencionais de geração, que culminam em diversos impactos na natureza. A máquina construída pela RAR Energia é a única em funcionamento, no mundo inteiro, que utiliza a força da gravidade para a produção de eletricidade.

O sistema, também chamado de máquina de movimento perpétuo, desafia os consensos da física, uma vez que rompe com as leis da termodinâmica, e, ainda, a Lei Áurea da Mecânica – a qual estabelece que todo trabalho aplicado deva ser maior ou igual ao trabalho realizado. Ainda assim, durante as etapas de montagem do gerador, os cientistas disponibilizaram um exemplar do inacreditável sistema em menor tamanho na sede da empresa.



O equipamento que aproveita a gravidade do planeta é acionado por um sistema mecânico e tem capacidade de geração de 30 kW – num primeiro momento, a ideia é construir um conceito, a fim de impulsionar este método de geração no mundo todo.

Um modelo idêntico ao que foi recentemente finalizado na capital gaúcha está sendo desenvolvido pela RAR Energia na cidade de Gilman, no estado norte-americano de Illinois. De acordo com a empresa responsável pelo projeto, a máquina é inspirada num motor a combustão, em que um conjunto de pesos é equivalente ao combustível e aos pistões, que acionam as bielas conectadas ao virabrequim.

Por Gabriel Felix – Redação CicloVivo

19 de novembro de 2013

Cidade Sustentável no Japão

Bianca Pinto Lima - O Estado de S. Paulo


SÃO PAULO - Durante quase 50 anos, a cidade de Fujisawa, no leste do Japão, abrigou um enorme parque fabril da gigante nipônica Panasonic. No local, eram produzidos milhões de televisores, geladeiras e ventiladores. Agora, na área de 19 hectares - o equivalente a 24 estádios do Morumbi -, não se vê mais máquinas e chaminés, mas os contornos de uma nova e diferente cidade: totalmente sustentável e erguida ao custo de R$ 1,3 bilhão.

Neste vilarejo, que receberá os primeiros habitantes em abril de 2014, todos os carros serão elétricos, as casas funcionarão à base de energia solar e haverá até incentivo financeiro para que os moradores vivam de forma sustentável. Até 2018, mil famílias deverão povoar o novo espaço, batizado de Fujisawa Sustainable Smart Town.

O projeto é capitaneado pela própria Panasonic - que cedeu os terrenos e responderá por 50% do investimento total - e conta com a parceria de outras oito empresas. Sete delas japonesas, mais a norte-americana Accenture.

O valor das casas ainda não foi revelado, mas uma "panahome" (modelo sustentável pré-fabricado da Panasonic) é vendida atualmente no Japão por cerca de R$ 1 milhão. A diferença é que agora não serão apenas as casas que funcionarão de forma inteligente e ecológica, mas uma cidade inteira.

Em entrevista ao Estado, o especialista em tecnologias verdes da Panasonic e um dos responsáveis pelo projeto, Roy Kobayakawa, refuta o rótulo de "laboratório gigante" e diz que a nova cidade usará apenas tecnologias e produtos já disponíveis no mercado. Segundo o executivo, é exatamente isso que diferencia Fujisawa das outras comunidades sustentáveis espalhadas pelo mundo.

"Os projetos convencionais privilegiam o design, enquanto Fujisawa se baseia na necessidade do morador. Não é um projeto piloto, é vida real. Vamos vender essas casas para pessoas que, de fato, vão morar lá", explica Kobayakawa.

Negócio. Mas a Panasonic, que hoje concentra 21% das suas vendas no segmento sustentável, mantém sim um olho no futuro. Juntamente com as empresas parceiras e os moradores, formará um comitê de administração da cidade, que pensará de forma continua em melhorias de produtos e serviços - como uma grande incubadora. "Também queremos obter lucro com esse projeto", afirma o executivo.

A ideia inicial é que a nova cidade ofereça um modelo replicável para outras partes do Japão. Mas Kobayakawa já fala em outros países, inclusive no Brasil. "Ainda não há um projeto específico, mas vemos potencial no País. A cidade de Curitiba, por exemplo, tem uma grande consciência ambiental, com vários prédios inteligentes", diz.

A empreitada ganhou força após o terremoto de março de 2011, que atingiu a costa nordeste do Japão. O tremor foi seguido por um tsunami e deu início a uma catástrofe nuclear, matando cerca de 20 mil pessoas. Desde então, a nação asiática rediscute a sua matriz energética e tenta criar mecanismos de proteção contra futuras catástrofes.

Sustentabilidade. Fujisawa já nasce, então, com metas ambiciosas: reduzir em 70% as emissões de gás carbônico, em relação aos níveis de 1990, e em 30% o consumo de água, na comparação com 2006. Além de que um terço de toda a energia da cidade deverá ser proveniente de fontes renováveis. Para atingir os objetivos, haverá recompensas aos moradores mais sustentáveis.

Quem poupar energia ou emitir uma quantidade menor de gases poluentes ganhará pontos, que poderão ser usados para amortizar as taxas de juros dos financiamentos imobiliários.

Mas tudo será previamente planejado para uma vida sem desperdícios. A ideia é que as famílias gerem a própria energia que consomem: as casas terão painéis solares instalados no telhado e as sobras serão armazenadas em baterias. Um painel fará o gerenciamento em tempo real, mostrando o quanto foi produzido no dia, quanto ainda há armazenado e quais itens da casa estão consumindo mais eletricidade.

Já a arquitetura irá potencializar o uso de recursos naturais, como luz do sol e ventilação. Os prédios comerciais também seguirão os mesmos preceitos.

A iluminação pública terá lâmpadas de baixo consumo e nas ruas não se verá postos de combustível, e sim pontos de recarga para carros e motos elétricas. As vias e estacionamentos, por sua vez, serão projetados para as bicicletas, que terão o seu uso incentivado.

25 de setembro de 2013

Se reproduzir e se bancar com o máximo de consumo, qualquer idiota pode fazer


Confira a entrevista com Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista e escritor

Vinícius Carvalho - redacao@revistaecologico.com.br




O último censo apontou a existência de 305 etnias diferentes no Brasil. Em meio a tanta diversidade, o que define o índio?

Só somos índios para os outros. Para nenhuma de nossas famílias nós somos os índios. Quando uma pessoa do meu povo quer se identificar, entre nós, ele chama o outro de burum. E se você for traduzir o burum, quer dizer “ser humano”. Então, nós nos reconhecemos como seres humanos; e, talvez, a crise de civilização que vivemos seja um grande liquidificador que vai permitir que todas estas alcunhas generalistas – os amarelos, os índios, os brancos, os pretos – se dissolvam neste caldeirão para que aprendamos, de novo, a ser a velha e ótima humanidade. Aceitar todos como irmãos – mesmo que ele não fale sua língua ou tenha hábitos diferentes dos seus – é um recurso de aproximação maravilhoso. O que acho que estes povos têm de beleza para contribuir com o arranjo da humanidade é justamente esta percepção sutil de que somos todos seres humanos. Somos coloridos, o mundo é colorido.



Qual a essência da crise?

Estamos caminhando para um desastre comum, porque não conseguimos mais nos reconhecer uns aos outros. É como se a gente estivesse em uma corrida maluca que já não tem mais a motivação da largada, mas que prossegue, porque alguém tem que chegar primeiro. Os chineses têm que chegar primeiro. Os americanos têm que chegar primeiro. Os europeus têm que chegar primeiro. Mas não estamos indo a lugar nenhum e é escandaloso o tanto de energia que capturamos da natureza para imprimir nela um significado cultural.



É um dilema espiritual também?

Muita gente tem problema com a palavra sagrado e acha que aplicar esse termo à natureza é um exagero, como se fosse uma tentativa equivocada de estender à natureza conceitos que são só da cultura. É difícil, muita gente tem vergonha do sagrado ou de demonstrar alguma sensibilidade que não tenha a ver apenas com seu umbigo. Se reproduzir e se bancar com o máximo de consumo, qualquer idiota pode fazer, mas não é qualquer idiota que consegue transcender à fissura de si mesmo e ter uma percepção de que somos mais do que animais que se reproduzem e dominam territórios. Somos capazes de ideias, percepções e sentimentos que restabelecem para nós mesmos o sentido de sagrado. E sagrado pode ser tudo aquilo em que botamos os olhos a depender dos olhos com que enxergamos o mundo. Se vemos uma montanha como toneladas de minério a serem transformadas em carros e outras bugigangas, então ela não pode ser sagrada. Se olhamos uma floresta e não conseguimos vê-la com algum significado transcendente, então ela vira só um estoque de recursos naturais. É quase o que acontece no Brasil hoje com relação à energia, todos os nossos rios estão sendo calculados em quilowatts. Então, alguém olha um rio e só pensa em quanta energia pode ser retirada dali. São verdadeiros vampiros que olham a natureza com as presas de fora.



Como nadar contra essa correnteza?

Quando você me pergunta como nadar contra a correnteza, o que eu digo é que não devemos nadar contra a correnteza. A lição da água é você acompanhar o movimento dela. Agora, acompanhar o movimento da água como uma tábua é uma coisa, e acompanhar esse movimento como um peixe vivo é outra. Há uma parábola muito bonita sobre isso que ouvi da Gurumai, continuadora de uma tradição de grandes gurus. Meses antes da tsunami na Ásia, ela sonhou que estava no mar com as amigas. Era um mar de corais, e o céu estava tão maravilhoso e azul. De repente, elas foram surpreendidas por um turbilhão que não deu a elas tempo de fugir para a praia. As amigas que sabiam surfar jogaram a prancha para cima e seguiram a onda. Ela, ao contrário, ouviu uma voz que disse: ‘Respire e mergulhe o mais fundo que puder’.

Quando finalmente retornou do fundo das águas, viu que as amigas que pegaram a primeira onda estavam esmagadas no rastro de toda aquela destruição. A lição da água não é nadar contra a corrente, é mergulhar fundo. Quem quer nadar contra a corrente é o velho homem. E mergulhar fundo significa aceitar os nossos defeitos, as nossas incapacidades. Enquanto não fizermos isso, aceitaremos que somos capazes de sermos maiores que nós mesmos.



E o que define este novo homem?

Esse homem não quer subir no pódio, não quer ser presidente da empresa, não quer ser maior do que ninguém. Ele está desconfiado de qualquer coisa que não pode ouvir ou enxergar sem binóculo. Ele quer relações transparentes, quer falar e ser ouvido, quer ser visto como um ser humano que erra, que chega atrasado, que pega gripe, que morre de câncer, que tem defeitos. Essa é a nossa possibilidade: acertar a partir de nossos próprios erros, sem ter vergonha de reconhecê-los. É não achar que meu erro precisa ser escondido e o do outro mostrado.

Gandhi já dizia: ‘comece a mudança por você mesmo’. Começar a mudança por você mesmo é ser transparente com seu pais, seus companheiros, seus erros, seus medos. Se você conseguir ser transparente com todos esses lados da sua vida, é bem possível que vá desvendar uma coisa divina na sua frente. Porque o divino é transparente.



Como ANALISA hoje o quadro indígena no Brasil?

A agulha que está fazendo do-in na cabeça dos índios é a do Iniciativa para Integração de Infraestrutura Regional Sul Americana (Irsa), que quer construir hidrelétricas em todos os rios. É a do Brasil que quer exportar 200 bilhões de toneladas de grãos, transformando o Cerrado em soja, cana-de-açúcar ou qualquer outro bagulho que o mercado queira comprar. É como se não importasse o que nós somos capazes de fazer, mas o que o mercado quer que a gente faça. E agora, no Brasil, querem tirar debaixo do pé dos índios minério, gás e petróleo. Meteram a mão no Xingu, estão construindo barragens e usinas no rio Telles Pires e em tudo quanto é curso d’água que tenha potência, sendo que potência para eles significa quilowatts. Se você fizer isso em todos os rios indígenas, você mata os índios.

Uma das coisas que os tecnocratas dizem, por exemplo, é que Belo Monte está a centenas de quilômetros do parque do Xingu, só que ele está no rio Xingu, e o rio é um organismo vivo. Se você cortar o pé de um desses tecnocratas será que ele não sente dor porque o pé está longe do coração? É de uma burrice sem fim. Isso não é governar, é desgovernar. E do Fernando Henrique Cardoso para cá, incluindo todos os governos, parece que a gente decidiu alugar o Brasil.



Ilustração artística mostra a usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará - Divulgação/Norte Energia

É momento de um presidente indígena na Funai?

O auge da política indigenista ocorreu na ditadura militar. Você tinha generais no comando da Funai. Quando o Figueiredo saiu e entrou o Sarney, continuamos ainda com os coronéis e gente do Serviço Nacional de Informação (SNI), um antro de arapongas. Daí, na virada da década de 80 para 90, começa a era dos antropólogos. Estamos há 20 anos testando a experiência dos antropólogos à frente da Funai, enquanto ela vai se mumificando. Porque é isso: a Funai está morta. Eles administrativamente a vincularam ao Ministério da Justiça, onde virou a filha feia que a família esconde no porão. Este é o lugar que o Estado brasileiro reservou para os índios. Há 10 anos, um antropólogo que iria assumir a direção da Funai me perguntou o que eu achava. Eu disse: compra uma caixa de dinamite, assina o ato de posse e implode aquela coisa. Daí, você talvez obrigue o Estado brasileiro – não uma autarquia confinada ou uma só pasta – a dialogar de verdade com os povos indígenas. Eu acredito que o ideal seria um Estado plurinacional.


Inspirado em alguma experiência?

Já temos experiências assim na Bolívia e no Canadá, onde estas etnias, independentemente do tamanho de sua população, são reconhecidas na sua capacidade de se autodeterminar e governar seus territórios. No Brasil é que as pessoas querem pensar pequeno. Não tenho mais paciência para essa conversinha fiada, deixo ela para os antropólogos que ainda querem continuar trocando figurinhas sobre como vão acompanhar o aniquilamento do que ainda existe de decência no governo brasileiro no trato com os povos indígenas. Fico triste e tenho vergonha dos antropólogos continuarem aceitando fazer esse jogo sem vergonha do toma lá dá cá com os partidos políticos. Eles deviam fazer uma declaração pública de que a Funai está extinta e de que precisamos de outro patamar de relação com as sociedades indígenas. É preciso uma ruptura com tudo isso que foi feito até aqui.


Ailton Krenak é uma das lideranças indígenas mais ativas do Brasil. Esteve ao lado de Chico Mendes na Aliança dos Povos da Floresta, participou da fundação da União das Nações Indígenas (UNI) e se tornou símbolo da luta pelos direitos dos povos tradicionais na Assembleia Nacional Constituinte, quando pintou o rosto de preto com pasta de jenipapo, enquanto discursava no plenário do Congresso, em sinal de luto pela lentidão na tramitação das pautas indígenas. Em entrevista concedida à ECOLÓGICO às margens do Rio Cipó, Ailton alerta para uma crise de civilização, destaca o lugar da espiritualidade hoje e critica algumas das principais ameaças aos povos indígenas em curso no Brasil. “Estamos caminhando para um desastre comum, porque não conseguimos mais nos reconhecer uns aos outros”.





6 de junho de 2013

A revolução na Turquia também é por causa de "Belo Monte".

A revolução ganhou as ruas na Turquia, o povo em massa está revoltado com o autoritarismo do Governo. O estopim foi a derrubada de uma praça pública para construção de shopping, mas o sentimento de revolta vem desde o início da construção de uma usina hidrelétrica.    



O filme abaixo, Damocracy mostra a realidade e as lutas dos atingidos pelas hidrelétricas de Belo Monte, no Brasil, e de Ilisu, na Turquia, e desconstrói o mito de que a hidreletrecidade é uma energia limpa.

Assim como Belo Monte, a história do barramento do rio Tigre na região de Ilisu data da década de 1980, quando o governo turco iniciou o projeto da hidrelétrica, da mesma forma que Belo Monte, a usina é foco de uma intensa batalha judicial em função dos seus enormes impactos, principalmente a inundação e destruição de um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo: a vila de Hasankeyf.

www.damocracy.org

28 de maio de 2013

Sem Obsolescência Programada: Espanhol é ameaçado de morte por criar lâmpada que não queima



Benito Muros. Foto em Perspectiva Ciudadana



Entrevista com Benito Muros publicada no Outer Space/Portal Terra com informações do El Economista

A bateria de um celular morre em dois anos, um computador em quatro, a geladeira está tendo problemas em oito anos e de repente, em um belo dia, a televisão lhe diz adeus.

“Não há nada para se fazer além de comprar outra”. É possível fazer produtos que durem mais do que isso? Quem sabe a vida toda? Benito Muros da SOP (Sem Obsolescência Programada), diz que é possível. Por isso está ameaçado de morte.

O conceito de obsolescência programada surgiu entre 1920 e 1930 com a intenção de criar um novo modelo de mercado, que visava a fabricação de produtos com curta durabilidade de maneira premeditada obrigando os consumidores a adquirir novos produtos de forma acelerada e sem uma necessidade real.

As lâmpadas e a luta de Benito Muros respondem a um novo conceito empresarial, baseado em desenvolver produtos que não caduquem, como aquelas geladeiras Frigidaire ou máquinas de lavar Westinghouse que duravam a vida toda.

Uma filosofia empresarial mais conforme com nossos tempos, graças à comercialização de produtos que não estejam programados para ter uma vida curta, senão que respeitem o meio ambiente e que não gerem resíduos que, por vezes, acabam desembocando em containers de lixo no terceiro mundo.

Veja a entrevista onde ele fala sobre seu projeto:

Trata-se de um movimento que denuncia a Obsolescência Programada. Lutamos para que as coisas durem o que tenham que durar, porém os fabricantes de produtos eletrônicos os programam para que durem um tempo determinado e obrigam os usuários a comprar outros novos. A lei permite!

O consumo de nossa sociedade está baseado em produtos com data de validade. Mudar isso suporia mudar nosso modelo de produção e optar por um sistema mais sustentável. Os fabricantes devem ser conscientes de que as crises de endividamento como a que vivemos são inevitáveis e que podemos deter o crime ecológico.

(Repórter: A lavadora de minha mãe durou 35 anos)

E agora aos seis já da problemas. Também, antes havia umas meias de náilon irrompíveis.

Deixaram de fabricar, por isso, porque duravam demais.

Mas hoje, por exemplo temos uma lâmpada que está acesa a 111 anos em um parque de bombeiros de Livermore (California). Foi então que surgiu a idéia de criar, junto com outros engenheiros, uma linha de iluminação que dure toda a vida.

(Repórter: Não queima nunca?)

Nunca! Dura mais de cem anos, porém como não veremos, oferecemos uma garantia de 25 anos.

(Repórter: Não se vê isto nos grandes armazéns.)

Não, porque as distribuidoras nos dizem que vivem das que se queimam. Inclusive recebemos ofertas de milhares de dólares para tira-la do mercado.

(Repórter: E quanto custa sua lâmpada?)

Pode ser comprada online por uns 37 euros. Aos fabricantes não lhes interessa.

(Repórter: Um gênio ou um louco?)

Nem um nem outro. Somente buscamos uma sociedade mais justa. Ainda que isto signifique estar ameaçado de morte. A lâmpada criada pela OEP Electrics responde à necessidade atual de um compromisso com o meio ambiente. Ao durar tanto tempo, não gera resíduos ao mesmo tempo em que permite uma poupança energética de até 92% e emite até 70% a menos de CO2.

Mas, ao que parece, a indústria de produtos elétricos não está muito contente com a descoberta. Benito Muros diz que está sendo ameaçado devido a seu invento e inclusive afirma ter recebido ofertas milionárias para retirar seu produto do mercado.

- “Senhor Muros, você não pode colocar seus sistemas de iluminação no mercado. Você e sua família serão aniquilados”, reza a denúncia que Muros apresentou à Polícia, que apesar do medo não se acovardou.

Para realizar sua pesquisa, Muros viajou até o parque de bombeiros de Livermore (Califórnia), lugar no qual há uma lâmpada que permanece acesa de forma ininterrupta há mais de 111 anos. Ali contatou com descendentes e conhecidos dos criadores da lâmpada, já que não existia documentação a respeito.

Com esta informação conseguiu as bases para começar sua pesquisa, cujo achado supõe um novo conceito de modelo empresarial baseado na não Obsolescência Programada.

Uma pequena lista das vantagens prometidas por Benito Muros e OEP Electrics:

- Gasta 92% menos eletricidade que uma lâmpada incandescente, 85% em relação às alógenas e 70% em relação às fluerescentes.

- Garante 25 anos funcionando 24 horas por dia, 365 dias por ano.

- Não se queima no caso de acender e pagar varias vezes. A empresa OEP Electrics garante 10.000 (Dez mil) comutações (acender e apagar) diárias.

- Ela acende na hora. Não precisa esperar ela esquentar.

- Não emite ultra violeta e nem ultra vermelho (Evitando problemas de pele e nos olhos)

- Não faz zumbido.

- Consegue iluminar em temperaturas de até 45 graus abaixo de zero.

- Não contém tungstênio e nem mercúrio. Não possui metais pesados que demoram para desintegrar. São recicláveis e seguem todas as normas ambientais.

- Emite 70% a menos de CO².

- Por ter mais tempo de vida, produz menos resíduos para a natureza.

- Praticamente não esquenta utilizando somente aquela energia que será necessária para iluminar, ao contrário das lâmpadas convencionais que gastam 95% da energia para produzir calor e 5% para iluminar.

- Por não esquentar e não produzir radiação evita deteriorar os materiais que estão perto.

- Evitam risco de incêndio.

- Não prejudicam o frio dentro de câmaras frigorificas.

Matéria no Outer Space / Portal Terra com informações do El Economista, socializada peloJornal da Ciência / SBPC, JC e-mail 4734.

14 de maio de 2013

À Sombra de um Delírio Verde

À Sombra de um Delírio Verde from Mídia Livre on Vimeo.

Gasolina ou Álcool? Qual a opção mais ecológica, mais justa? Assista a esse documentário, talvez você mude de opção...

Sinopse: Na região Sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, o povo indígena com a maior população no Brasil trava, quase silenciosamente, uma luta desigual pela reconquista de seu território.
Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, juntamente com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível “limpo” e ecologicamente correto.
Sem terra e sem floresta, os Guarani Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho. Na linha de produção do combustível limpo são constantes as autuações feitas pelo Ministério Público do Trabalho que encontram nas usinas trabalho infantil e trabalho escravo.
Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros.
http://www.thedarksideofgreen-themovie.com

Agradecimentos a Jessica Cardoso pela sugestão e link

Postado por DocVerdade

13 de maio de 2012

Occupy: 7.107 presos até agora nos Estados Unidos

Desde que começou, em setembro de 2011, o movimento Ocupe Wall Street, até 1.o de maio corrente, foram presos nos Estados Unidos 7.107 manifestantes ligados a essa mobilização, segundo http://occupyarrests.moonfruit.com/, em inglês.

12 de maio de 2012

TCU e o erro nas contas de luz


Por Altamiro Borges

Nos próximos dias, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidirá sobre o grave erro na cobrança das contas de luz efetuado pelas 63 companhias de energia do país. Se vingar o interesse público e não o das poderosas empresas, elas serão obrigadas a devolver aos clientes os valores cobrados indevidamente durante sete anos. Segundo cálculos do próprio TCU, o furto totaliza R$ 7 bilhões!


Esse caso escandaloso já poderia ter sido resolvido em 2010, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reconheceu o erro no cálculo das tarifas. Num contrassenso, porém, ela mesma negou aos consumidores o direito ao ressarcimento do valor roubado. Desde então, órgãos de defesa do consumidor, associações de profissionais liberais e entidades patronais questionam a atitude da Aneel.

Cresce a pressão da sociedade

Na semana passada, um tuitaço exigiu coerência do TCU e os protestos ganharam força. Talvez por isso, o tribunal decidiu reabrir a questão. Um parecer técnico do próprio órgão confirma que houve “ilegalidade” na cobrança, “que gerou prejuízos ao usuário de pelo menos R$ 1 bilhão por ano”. Na Câmara Federal, deputados de vários partidos reivindicam a devolução do dinheiro.

As poderosas empresas, porém, resistem e já anunciaram que recorrerão da decisão do TCU caso seja desfavorável. Elas alegam que a restituição ou compensação colocará em risco os seus negócios. Pura balela. Estas corporações continuam obtendo lucros recordes no setor. Com a complacência da Aneel, elas praticam os piores abusos contra os consumidores.

Péssima qualidade dos serviços

Recente estudo confirma que a AES Eletropaulo, concessionária que atende 6,5 milhões de consumidores em São Paulo, ficou na 23ª posição na qualidade do serviço prestado, de acordo com ranking das grandes distribuidoras da Aneel – que inclui 33 empresas. Neste setor estratégico, que foi privatizado no reinado de FHC, impera apenas a lógica do lucro - inclusive na base do roubo. Os consumidores que se danem!

9 de maio de 2012

Pesquisadores transformam esgoto em combustível


Já pensou abastecer seu automóvel com… esgoto? Ao que depender da iniciativa de um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, esta será uma realidade palpável em breve. O estudo foi elaborado pelo National Fuel Cell Reasearch Center, e tenta demonstrar que a solução é um bom combustível de produção local, uma vez que cada cidade pode utilizar seu próprio esgoto, além de reutilizar esses resíduos nocivos ao ambiente. Os pesquisadores já instalaram um equipamento para demonstrar o processo na estação de tratamento de esgotos de Orange Country. O sistema funciona a partir de biodigestores, nos quais as bactérias quebram os resíduos sólidos e liberam gás metano e dióxido de carbono (CO2).

Os gases então são transportados para uma célula gigante, sendo em seguida transformados em CO2, água e hidrogênio. O hidrogênio puro é utilizado para gerar energia necessária ao funcionamento do próprio sistema e o restante vira combustível. O sistema está em fase de testes e logo deve ser instalado em outras estações de tratamento.



26 de abril de 2012

Brasil caminha para se tornar um dos maiores geradores eólicos



Por Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo


A evolução da energia eólica na matriz elétrica nacional tem sido exponencial. Estima-se que o segmento já represente 0,9% da geração de energia, percentual que deverá crescer ainda mais nos próximos anos diante da perspectiva de contratação de dois mil megawatts (MW) anuais, o que também deverá consolidar o mercado brasileiro, hoje o décimo-primeiro do mundo, como um dos dez maiores do planeta.

Entre 2005 e 2011, dos 64 mil MW contratados nos leilões de energia, 10% desse total, ou 6750 MW, se referem a projetos eólicos. “A produção do Brasil equivale a 9% da demanda mundial de aerogeradores. Há três anos tínhamos dois fabricantes no Brasil, hoje, temos oito e devemos ter mais um em 2013. O Brasil deverá passar da décima-primeira posição para quarta ou quinta de aumento de capacidade anual do segmento”, afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Outros fabricantes, inclusive empresas chinesas, analisam construir uma fábrica no Brasil nos próximos anos, segundo ele. A capacidade produtiva da indústria instalada no Brasil deverá ser superior à demanda do País, permitindo que parte da produção seja destinada à exportação. O potencial ainda é muito grande. No início da década foi feito um estudo que apontou que o Brasil poderia chegar a uma potência estalada de 143 GW no segmento, dez vezes mais do que a capacidade da usina de Itaipu, uma das maiores do mundo. Mas a medição tinha sido feita com aerogeradores com altura inferior a 50 metros. Hoje usam-se equipamentos com altura superior a 100 metros. Quanto maior altura, maior a velocidade dos ventos. “O potencial deve ser maior que os 143 GW, mas não sei quantas vezes. Algo que era sustentado apenas por subsídio se tornou bastante competitivo.”

Em 2005 o Brasil detinha dez usinas eólicas de 28 MW. Nesse ano estão em operação cerca de 1500 MW, sendo que 1200 MW estão em construção e outros 6000 MW em contratos, devendo entrar em operação até 2016. “Esse número deve aumentar ainda mais, porque temos mais um leilão no fim do ano”, ressalta Tolmasquim. O Brasil precisa acrescentar 6.000 MW de potência por ano para assegurar o crescimento da demanda. Nessa década o planejamento do governo prioriza fontes renováveis que devem crescer 12% ao ano até 2020. “A energia eólica é uma fonte limpa, o que chama a atenção de muitas empresas. Temos ainda muito o que expandir, nosso desafio é manter a contratação anual de 2000 MW”, diz Elbia Mello, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Em 2005, o MWh eólico custou R$ 306, em 2011 o MWh chegou a R$ 102, quase o mesmo preço da fonte hídrica. Hoje muitas empresas estão investindo no Brasil e nacionalizando peças e equipamentos, o que contribui para a redução de custos. Há um outro motivo: países da Europa têm freado o ritmo de expansão e cortado subsídios. Resultado: há ociosidade no parque mundial de fabricantes, o que contribui também para redução de preços. “O Brasil ganha espaço enquanto na Europa perde dinamismo”, afirma Collin Johnson, chefe da área de energia Grant Thornton International.

24 de abril de 2012

Por que Buenos Aires enlouquece a mídia

Por Mark Weisbrot, no The Guardian
Tradução por Antonio Martins, no Outras Palavras


A decisão do governo argentino, de re-nacionalizar a YPF, antiga empresa estatal de petróleo e gás, foi recebida na mídia internacional com brados de ultraje, ameaças, presságios de tormenta e ruína e até xingamentos.

Já vimos este filme antes. Quando o governo argentino entrou em moratória da dívida externa, no final de 2001, e desvalorizou sua moeda algumas semanas depois, choveram lamentos e condenações na imprensa. A medida provocaria inflação descontrolada, fecharia o crédito internacional à Argentina e provocaria ao final escassez de divisas. A economia iria mergulhar numa espiral de recessão.

Nove anos depois, o PIB de Argentina cresceu cerca de 90%, o índice mais alto no hemisfério. Os índices de desemprego estão no patamar mais baixo de todos os tempos; tanto a pobreza quando a “pobreza extrema” foram reduzidas em dois terços. Os investimentos sociais, já corrigidos pela inflação, quase triplicaram. Provavelmente por isso, Cristina Kirchner foi reeleita em outubro, numa vitória arrassadora.

Esta história de sucesso raramente é contada, em especial porque implicou reverter muitas das políticas neoliberais fracassadas que – apoiadas por Washington e pelo FMI – conduziram o país a sua pior recessão, entre 1998 e 2002. Agora, o governo está revertendo outra política neoliberal dos anos 1990: a privatização do setor de petróleo e gás, que jamais deveria ter ocorrido.

Há razões de sobra para esta atitude, e é muito provável que ela se demonstre, também neste caso, acertada. A Repsol, companhia espanhola que controlava 57% da YPF argentina, deixou de produzir o suficiente para abastecer uma economia em crescimento acelerado. Entre 2004 e 2011, a extração de petróleo declinou quase 20%; e a de gás, 13%. A YPF foi a principal responsável pelo recuo. E as reservas comprovadas de petróleo e gás da companhia também caíram substancialmente, nos últimos anos.

O declínio da produção não é um problema relacionado apenas ao consumo das pessoas e empresas, mas, ao mesmo tempo, um tema macroeconômico de grande importância.

O déficit de petróleo e gás levou a uma rápida alta das importações. Em 2011, elas dobraram, em relação aos 9,4 bilhões de dólares do ano anterior, absorvendo boa parte do superávit comercial argentino. Obter um resultado positivo é muito importante para a Argentina desde a moratória de 2011. Como o governo tem pouco acesso aos mercados financeiros internacionais, ele precisa acautelar-se e acumular um volume importante de divisas, para evitar uma crise no balanço de pagamentos. É por isso que não pode dar-se ao luxo de deixar nas mãos do setor privado a produção e distribuição de energia.

Por que, então, o ultraje contra a decisão de Buenos Aires de assumir – por meio de uma troca forçada – o controle de uma empresa que, durante a maior parte de sua história, foi a companhia nacional de petróleo? O México nacionalizou seu setor petrolífero em 1938 e – como diversos países da OPEP – sequer permite investimento estrangeiro na extração. A maior parte dos países produtores – da Arábia Saudita à Noruega – tem estatais petrolíferas. A privatização do óleo e do gás nos anos 1990 foi uma aberração de neoliberalismo selvagem. Mesmo quando o Brasil privatizou empresas estatais avaliadas em U$ 100 bilhões, nos anos 1990, o governo de então manteve-se como acionista majoritário da Petrobrás.

O controle soberano sobre os recursos energéticos tem sido uma parte importante da recuperação econômica da América Latina, vista por muitos como sua “segunda independência”. A Bolívia renacionalizou sua indústria de hidrocarbonetos em 2006, e elevou a receita advinda de suas fontes energéticas de 10% do PIB para 20%. No governo de Rafael Correa, o Equador ampliou progressivamente o controle sobre seu petróleo e sobre as empresas privadas que atuam no setor.

A Argentina, portanto, está se alinhando aos vizinhos e revertendo antigos erros no setor de energia. Já seus detratores estão em posição frágil para atirar pedras. As agências de avaliação de risco estão ameaçando rebaixar a Argentina. Seria o caso de levá-las a sério, depois de elas terem atribuído notas AAA para as hipotecas baseadas em créditos podres, durante a bolha imobiliária; e de terem, mais tarde, fingido que o governo dos EUA poderia tornar-se insolvente? Já as ameaças da União Europeia e do governo de direita da Espanha partem de um continente que vive a segunda recessão em três anos e está a meio caminho de uma década perdida, com índices de desemprego que chegam a 24%, precisamente no estado espanhol.

É interessante notar que a Argentina alcançou seu notável sucesso dos últimos nove anos embora recebesse pouquíssimo investimento direto externo e de ter sido afastada, em grande medida, dos mercados financeiros internacionais. Segundo a maior parte dos jornais de negócios, estes são os dois agentes que qualquer governo mais precisa agradar, se quiser ser bem-sucedido. Porém, Buenos Aires tem outras prioridades. Talvez seja por isso que a Argentina recebe tantas críticas…

Energia renovável caseira pode abastecer distribuidoras

Nova resolução da Aneel permite que consumidor produza energia renovável e repasse a sobra para a rede distribuidora, pagando menos na conta de luz. Incentivo fiscal e isenção de impostos ficam de fora da medida.

Nos pés da Serra do Mar, em Ubatuba, os moradores de uma ecovila produzem sua própria energia desde a fundação do lugarejo, em 1999. Inicialmente, placas fotovoltaicas abasteciam as tomadas. Desde 2009, uma microturbina hidrelétrica garante eletricidade às famílias que moram no local e ao escritório do Ipema (Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica).p>Computadores, impressoras, datashow, máquinas de lavar roupa, liquidificadores, televisões, lâmpadas: tudo funciona com a energia produzida localmente, exemplifica o arquiteto Marcelo Braga, fundador do Ipema. A comunidade gera mais do que consome e tem uma sobra de energia durante a noite – quando quase tudo está desligado da tomada – e que é perdida.

Mas uma mudança na lei brasileira começa a desenhar um novo cenário. O consumidor que produz energia de fontes renováveis em casa pode injetar o excesso na rede da distribuidora local. As novas diretrizes foram aprovadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e valem desde a última quinta-feira (19/04).

As normas se aplicam a microgeradores (até 100 KW) e minigeradores (de 100KW a 1MW) que usam fontes renováveis – solar, eólica, hídrica ou de biomassa. Em vez de dinheiro, o produtor que injetar energia na rede da distribuidora ganha um crédito, que pode ser abatido na conta de energia dos meses seguintes, com prazo de até três anos.

A agência do governo vê vantagens na iniciativa: “Economia dos investimentos de transmissão, redução das perdas nas redes e melhoria da qualidade do serviço de energia elétrica”, respondeu a Aneel, por email, à DW Brasil.

Leia + aqui

4 de abril de 2012

“maior fábrica de celulose do mundo” com 2,7 bi do BNDES usa policiais pra espancar e intimidar operários

Crimes sem castigo na construção da “maior fábrica de celulose do mundo” em Três Lagoas-MS

Por: Leonardo Severo, de Três Lagoas-MS (por e-mail)

R$ 2,7 bilhões do BNDES, recursos públicos, da sociedade brasileira, estão financiando o crime na cidade de Três Lagoas, no interior do Mato Grosso do Sul. Para a construção da “maior fábrica de celulose do mundo”, que enfrenta nestes dias a sua quarta paralisação, a empresa Eldorado se utiliza de métodos medievais. Literalmente.

Seguindo a risca a cartilha deixada por um dos idealizadores do empreendimento, Mário Celso Lopes – já denunciado pela exploração de trabalho escravo -, a Eldorado faz bom uso da impunidade para catapultar seus lucros. Suas ações vão desde a demissão sumária de cipeiros até a utilização de policiais militares com farda e sem farda para reprimir manifestações, espancar operários, montar listas “negras” e até mesmo ameaçar de morte lideranças sindicais.

E o que dizia a intimação? Obrigava os cipeiros Luiz Carlos e José da Conceição, bem como outros trabalhadores identificados como “instigadores” da mobilização por direitos, a pagar uma multa diária de R$ 2.000,00 (dois mil reais), durante um máximo de cem dias, caso não obedecessem a ordem assinada pelo juiz Tomás Bawden de Castro Silva. “Fiquei louco”, relata Luiz Carlos. “Afinal, onde é que eu ia arrumar duzentos mil reais?”. Sobre os motivos que levaram à organização do protesto, explica: “foi o deslocamento a pé até o local do almoço, pois era o segundo dia que o ônibus não vinha e tínhamos de caminhar dois quilômetros para ir e dois para voltar ao trabalho”. “A isso se somou o fato de que muitas horas extras não eram pagas, que descontavam faltas sem termos faltado, e de que o pagamento era sempre uma surpresa, pois o holerite não correspondia à realidade”, frisou.