do Luis Nassif
O artigo do juiz Wálter Fanganiello Maierovitch para a Carta Capital mereceria uma discussão aprofundada. Toca no ponto sensível da questão das drogas: o peso que o tráfico adquiriu no mercado financeiro internacional. Maierovitch afirma, com base em reportagem do Observer, que os 300 bilhões de dólares anuais movimentados pelo tráfico garantiram a liquidez dos bancos durante a crise.
É isso que precisamos discutir e conhecer melhor: a economia das drogas ilícitas. O mercado financeiro é, hoje, o grande viciado em cocaína do mundo. Se houvesse o movimento internacional pela legalização das drogas fosse vitorioso, centenas de bilhões de dólares (alguns falam em 1 trilhão) deixariam de ficar empoçados nos paraísos fiscais. É essa a questão. Fico desanimado quando vejo as pessoas aceitando de maneira completamente acrítica os termos (absurdos) em que a questão é posta muitas vezes na imprensa. Toda a ênfase é posta no “viciado”, e numa possível “tragédia social” que sobreviria à descriminalização. Esse simplesmente não é o ponto. Não é isso que explica por que os EUA gastam milhões e milhões de dólares anuais numa “guerra às drogas” que, depois de cinquenta anos, não é capaz de exibir um único resultado prático positivo. O objetivo das “guerra às drogas” não é acabar com o tráfico, mas conservá-lo. Combate-se o traficante X contando-se com sua substituição imediata pelo traficante Y, que manterá o sistema como um todo inalterado. Pouco importa, para os EUA e para os principais países europeus, quem está à frente do tráfico nos Bálcãs ou na América Latina. Importa apenas que o dinheiro do tráfico continue circulando nos paraísos fiscais.
O problema é que somos nós que pagamos o preço desse precioso mecanismo de liquidez. A guerra civil a que assistimos nos morros cariocas ou no norte do México tem que ser mantida para que o tráfico internacional continue funcionando. Não importa quantas pessoas morram, não importa que essa política seja um exemplo escancarado de ineficiência estrutural, não importa que o sistema atual faça com que simples usuários de maconha frequentem semanalmente locais onde lhes são oferecidos a cocaína e o crack. Importa apena que a grana do tráfico continue fluindo para as mãos do sistema financeiro.
Vamos deixar de bancar os idiotas?
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http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/21/o-poder-financeiro-da-droga/
É isso que precisamos discutir e conhecer melhor: a economia das drogas ilícitas. O mercado financeiro é, hoje, o grande viciado em cocaína do mundo. Se houvesse o movimento internacional pela legalização das drogas fosse vitorioso, centenas de bilhões de dólares (alguns falam em 1 trilhão) deixariam de ficar empoçados nos paraísos fiscais. É essa a questão. Fico desanimado quando vejo as pessoas aceitando de maneira completamente acrítica os termos (absurdos) em que a questão é posta muitas vezes na imprensa. Toda a ênfase é posta no “viciado”, e numa possível “tragédia social” que sobreviria à descriminalização. Esse simplesmente não é o ponto. Não é isso que explica por que os EUA gastam milhões e milhões de dólares anuais numa “guerra às drogas” que, depois de cinquenta anos, não é capaz de exibir um único resultado prático positivo. O objetivo das “guerra às drogas” não é acabar com o tráfico, mas conservá-lo. Combate-se o traficante X contando-se com sua substituição imediata pelo traficante Y, que manterá o sistema como um todo inalterado. Pouco importa, para os EUA e para os principais países europeus, quem está à frente do tráfico nos Bálcãs ou na América Latina. Importa apenas que o dinheiro do tráfico continue circulando nos paraísos fiscais.
O problema é que somos nós que pagamos o preço desse precioso mecanismo de liquidez. A guerra civil a que assistimos nos morros cariocas ou no norte do México tem que ser mantida para que o tráfico internacional continue funcionando. Não importa quantas pessoas morram, não importa que essa política seja um exemplo escancarado de ineficiência estrutural, não importa que o sistema atual faça com que simples usuários de maconha frequentem semanalmente locais onde lhes são oferecidos a cocaína e o crack. Importa apena que a grana do tráfico continue fluindo para as mãos do sistema financeiro.
Vamos deixar de bancar os idiotas?
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