27 de abril de 2012

Luta contra o agrotóxico

Por Camila Garcia 

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) tem acompanhado casos como o de Zé Maria do Tomé, denunciando em seus relatórios, como a impunidade e o aumento da violência têm caminhado juntas nos conflitos de terra no Brasil. Segundo matéria divulgada pela revista Carta Capital[1], em maio de 2011, nos últimos 25 anos, 1.614 pessoas foram assassinadas no Brasil em decorrência de conflitos no campo. Desses casos, 91 foram julgados, resultando na condenação de 21 mandantes e 72 executores. Ou seja, a Justiça levou às grades apenas um criminoso para cada 17 pessoas assassinadas em todos esses anos.

A mercê dessa impunidade seguem em luta por direito ao território, camponeses, quilombolas e indígenas que continuam ameaçados e/ou assassinados todos os dias. Dados da CPT revelam que entre os anos de 2001 e 2011, 405 lideranças camponesas foram assassinadas em conflitos no campo e a lista de “pessoas marcadas para morrer” aumenta a cada ano. Em 2010 eram 83, em 2011 esse número foi 172. Para 2012, as informações devem ser atualizadas no próximo Relatório de Conflitos no Campo, que deverá ser lançado até maio, entretanto, somente em quatro meses, nove pessoas já foram assassinadas.

Legado

Presidente da Associação dos Desapropriados Trabalhadores Rurais Sem Terra da Chapada do Apodi, José Maria morreu aos 44 anos, deixando esposa e três filhos. Combativo, junto com a organização comunitária do Tomé, denunciou a contaminação indiscriminada por agrotóxicos da água consumida pela comunidade, o problema de moradia enfrentado por uma parte das/os trabalhadas/res rurais da região, e a apropriação indevida de terras pertencentes à União por empresas de agroexportadoras de frutas.

Pouco antes do assassinato, a comunidade do Tomé travava uma forte batalha contra a pulverização aérea. Em 2009, haviam conseguido aprovar uma lei municipal proibindo esse tipo de pulverização, entretanto, a pressão de políticos e interesses econômicos levaram o prefeito de Limoeiro a apresentar outro projeto de lei para revogar a conquista popular encampada por Zé Maria. Acredita-se que esses fatos estiveram intimamente ligados a motivação do crime. Hoje, apesar de não estar resolvida a questão, os moradores da chapada relatam que as aeronaves param de circular, mas outras formas de pulverização continuam contaminando o solo e água do local.

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