Do Sítio Coletivo
Uma brigada de solidariedade da Via Campesina esteve no mês de outubro em uma missão na Palestina. A brigada foi composta por 12 militantes do MST e de outros movimentos sociais da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba).
Por lá, o grupo conheceu a realidade do país árabe, os efeitos da ocupação do território palestino por Israel e as experiências de agricultura e resistência popular.
Para o Sem Terra, a passagem pelo país árabe foi um grande aprendizado que serviu para a militância fazer um paralelo da luta cotidiana dos movimentos sociais, uma nova leitura do significado da Reforma Agrária e para desmistificar uma série de informações massificadas pelos meios de comunicação hegemônicos sobre o conflito histórico entre judeus e palestinos.
Beá iniciou seu relato com um contexto histórico do conflito, iniciado em 1948 quando a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou a criação do estado de Israel em área da Palestina.
Desde então, Israel realiza um processo de colonização do estado palestino, ocupando hoje mais de 80% de todo o território. "O que acontece naquele território é diferente de tudo que a gente já viu. É uma região historicamente ocupada e o que vemos na mídia é muita desinformação. As vezes tratam o conflito como algo religioso, mas o que está em jogo é que aquela é uma região estratégica para o capital", comenta.
O militante falou sobre o constante estado de terror dos palestinos. "Imagine o que é viver sob o medo, sabendo que a qualquer momento o exército pode invadir sua casa, com cidadãos sendo presos muitas vezes a revelia e forma ilegal". Atualmente são mais de 5 mil presos políticos palestinos por resistirem à ocupação, além disso existem mais de 7 milhões de refugiados, que foram expulsos de suas terras desde a criação do Estado de Israel.
Cuidado! Crianças
Muitos palestinos estão proibidos de sair do país e a construção de um muro desde 2003 isola e prende os palestinos, confiscando as terras férteis dos camponeses. As crianças também são alvo e vítimas de torturas físicas e psicológicas, como relata Beá.
"O que nos chocou muito foi o número de crianças presas, ao todo são 188. Em nossa cultura não se submete castigos e torturas às crianças. Por lá elas ficam presas e passam por isolamento de 30 a 40 dias, numa cela sozinha e o primeiro contato depois disso é com o torturador, então a criança sai de lá achando que o exército são os melhores caras do mundo", conta o militante.
Os assentamentos desalojam os palestinos, destroem seus cultivos e propriedades e os submetem à violência. Para Beá, os assentamentos contrastam com a miséria dos palestinos. "Diferente daqui, onde lutamos pela constituição de nossos assentamentos, por lá a palavra assentamento representa o horror. São mansões construídas na Cisjordânia, locais murados com hectares de bananas plantadas em estufas sendo constantemente irrigadas com água que é desviada das áreas palestina".
Durante a viagem, a brigada traçou paralelos da luta dos movimentos sociais de luta pela terra com a resistência do povo palestino. "A viagem valeu para cair a ficha sobre algumas coisas, como o fato que nossa militância precisa entender de vez que a Reforma Agrária também passa pela defesa de nossos territórios tradicionais, das terras indígenas, quilombolas, faxinalenses, ribeirinhos. Quando olhamos a luta indígena no Brasil nos faz lembrar do povo palestino, que tiveram suas terras tomadas paulatinamente", destaca o coordenador do MST.
Questionado sobre como é possível grupos armados resistirem dentro de um território pequeno e sob o comando de Israel, Beá afirma que a própria resistência acaba sendo utilizada como tática do 'terror sionista'. "Isso ajuda a aumentar e legitimar a opressão do Sionismo, pois são por essas ações de um povo que resiste que se justificam as piores reações", conclui o militante em seu relato.
Fonte: MST
Nenhum comentário:
Postar um comentário