A luta do trabalhador para conquistar direitos é esmagada pelos donos do capital, e no futebol não é diferente...
O líder do Bom Senso foi despachado do Corinthians.
Paulo André pouco antes do embarque para a China falou.
E deixou claro que foi o clube quem quis se livrar dele.
Foi para o Shanghai Shenhua porque percebeu que os dirigentes não o queriam.
"Eu tive propostas do futebol italiano.
Do Verona e da Roma.
Mas não quis ir, acreditava na minha missão no Corinthians.
Só que desta vez percebi que o ambiente não era mais propício a mim.
E que tinha de sair.
Foi o que eu fiz."
Ou alguém em seu juízo normal diz não a Roma e vai para a China?
Ele esclareceu o que era impossível de entender.
Capitão do time, campeão do mundo, 30 anos.
Líder de Mano Menezes.
Mesmo assim sair de graça, sem render um centavo ao Parque São Jorge.
Havia um motivo muito grande para que fosse liberado.
O fato de ter enfrentado publicamente a CBF.
Focado em José Maria Marin seu inimigo.
Isso era assustador para Mario Gobbi e outros dirigentes corintianos.
Até porque depois do afastamento de Andrés Sanchez, Gobbi agiu.
E se tornou novo aliado do presidente da CBF e de Marco Polo del Nero.
É muito provável que ele vote na situação na eleição da CBF em abril.
O que há pouco tempo seria considerado impossível.
Andres, mentor do presidente corintiano, é inimigo de morte de Marin.
Pois se livrando de Paulo André, líder do Bom Senso, o agrado à CBF estaria feito.
"O meu empresário para ir jogar na China foi o Marin."
Ironizou ontem à noite Paulo André falando à Jovem Pan.
Ele soube ler muito bem a situação.
Mas não deixaria de dar um último recado à cúpula da CBF.
"O futebol é um patrimônio do povo brasileiro.
Mas vem sendo utilizado por poucos para ganhar dinheiro.
Para não fazer nada.
Para manter essa bagunça e obter o sucesso que eles tanto gostam.
Quando o povo entender a força que tem...
E os jogadores perceberem que são os principais atores do espetáculo...
Isso muda.
Pode demorar.
Mas quando acontecer fará com que os poderosos se dobrem.
A quem realmente faz o espetáculo."
Ou seja, era um pedregulho enorme no sapato de Marin.
O dirigente o queria mais longe possível.
Em duas ocasiões que o presidente da CBF se encontrou ele, detestou.
Uma na própria entidade, em uma reunião fechada.
Os líderes do Bom Senso foram ao Rio.
E o ex-zagueiro corintiano foi o mais veemente diante do dirigente.
O outro encontro acabou sendo público.
No Fórum Nacional do Esporte, em agosto do ano passado.
Paulo André outra vez foi duro.
"O Brasil pode ter ganho a Copa das Confederações.
Mas pelo talento dos seus jogadores, a maioria no Exterior.
Por aqui vivemos uma crise existencial.
(...)Eu joguei a sexta divisão do Campeonato Paulista pelo Águas de Lindoia.
Ganhava R$ 180 por mês.
O futebol brasileiro precisa evoluir para uma gestão de século 21."
Ninguém fala assim com Marin.

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