À margem das instituições e da mídia, uma onda de ocupações de terras propaga-se pela Europa para reivindicar o direito à terra, deter a especulação imobiliária, implantar hortas comunitárias e centros de serviços públicos ou lazer, entre outras finalidades. Um dos casos de maior repercussão é o de Notre-Dame-des-Landes, no noroeste da França. Cerca de 40 mil pessoas entre famílias, jovens mascarados e agricultores da região ocupam 1,5 mil hectares pertencentes ao Estado e destinados à construção de um aeroporto. Elas estão determinadas a “lutar contra o avanço das obras, aprender a viver em conjunto, cultivar a terra e ter mais autonomia em relação ao sistema capitalista”. Há assembleias regulares, um jornal distribuído de bicicleta, padaria, biblioteca e até uma rádio pirata captada pelos usuários das autoestradas Vinci, a maior empresa de construção e concessões do mundo, responsável pelo projeto. Previsto para funcionar em 2017, o aeroporto foi adiado para 2020. Uma pesquisa mostrou 56% dos franceses contrários à obra, 24% favoráveis e o restante indefinido. Movimentos semelhantes brotam em outras regiões da França. Em Rouen e Dijon, terrenos são tomados para o cultivo de hortas comunitárias e bloqueio de projetos imobiliários. Em Avignon, uma manifestação contra a construção de uma autoestrada resultou na ocupação de casas e terrenos agrícolas.
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